A igreja de Cristo

T.W.Phillips – O Autor é um contemporâneo de ALEXANDRE CAMPBELL, escreveu o livro: A Igreja de Cristo, que foi traduzido em 1964 pela APLIC (Associação Pró-Literatura Cristã), republicado por mim em 1978 e agora volta a ser editado em capítulos no nosso site. T.W. Phillips foi um grande comerciante nos EUA, e investiu grande parte de seus lucros no MOVIMENTO DE RESTAURAÇÃO, em colégios bíblicos, igrejas e acampamentos, T.W. Phillips faz questão, em dizer não ser um clérigo, mas um HOMEM LEIGO, portanto, beneficie-se com uma leitura simples.

Pr. Ozório

Capítulo I

A igreja de Cristo como instituição orgânica. Sua importância suprema. Primeiro, o nome; segundo, os oficiais e seus deveres. Bispos e Presbíteros. Diáconos. Ministros ou Evangelistas.

Nos capítulos anteriores narramos a história do perdão e a evidência do perdão como apresentadas nas Sagradas Escrituras. Queremos agora considerar a Igreja cristã como uma instituição orgânica. Paulo diz: “Assim já não sois estrangeiros, mas concidadãos dos santos e sois da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, senda êle mesmo Cristo Jesus, a pedra angular (Efésios 2:19-20). “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (I Cor. 3:11). Pedro disse : “Tu é Cristo, o Filho do Deus vivo”, a que Jesus retrucou: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Ela foi organizada pelos apóstolos sobre êste fundamento e governada tão sòmente por autoridade divina.

A igreja de Cristo “a qual Êle comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20:28), é uma instituição gloriosa que foi estabelecida por êle para a salvação do mundo. “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25). Por meio da igreja é dada a conhecer “a multiforme sabedoria de Deus” (Efésios 3:10). “Cristo é o cabeça da igreja, sendo êste mesmo salvador do corpo” (Efésios 5:23). Quando “um membro padece, todos sofrem com êle” (I Cor. 12:26-27). “... acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2:47) . “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42).

É preciso lembrar que a Igreja de Cristo é uma instituição divina e que ela é o meio pela qual Deus está salvando o mundo; “coluna e baluarte da verdade” (I Tim. 3:15) . Ninguém pode se considerar crente e não tomar em consideração “a Igreja do Deus vivo”, porque Deus exaltou Cristo “acima de todo principado e potestade, e poder, e domínio e de todo o nome que se possa referir ... e pôs todas as cousas debaixo dos seus pés para ser o cabeça,... a qual é o seu corpo” (efésios 1:21-23).

Passaremos agora a dar uma breve história da Igreja de Cristo. Primeiro, o nome; segundo os oficiais e seus deveres. Terceiro, as ordenanças e sua observação.

Primeiro, o nome. Notamos nas Escrituras que os cristãos eram coletivamente chamados “a igreja” (Efésios 3:10). “A igreja de Deus” (I Cor. 1:2);”As igrejas de Deus” (I Tes. 2:14; “A igreja do Senhor (Atos 20:28). ”As igrejas de Cristo” (Romanos 16:16).”Corpo da igreja” (Col. 1:18).” O corpo (igreja) de Cristo” (I Cor. 12:17). “Família de Deus” (Efésios 2:19).

Em sua capacidade individual eram chamados “santos”, “irmãos”, “discípulos”,”discípulos de Cristo”,”cristãos”,”filhos do reino”,”santos de Deus”,”herdeiros”; também eram chamados por termos figurativos como “ovelhas” e “ramos”, e estes termos são suficientes para descreverem os membros da Igreja de Cristo em suas várias relações.

Segundo. Consideraremos agora os oficiais e seus deveres. Isto é importante ao descrever uma organização religiosa, pois é onde muitas igrejas diferem. Notamos pelas Escrituras que haviam “bispos” ou “anciãos” ou “pastôres",”diáconos” e “ministros” ou “evangelistas”, e estes constituíam tôda a oficialidade da igreja de então. Pode isto parecer estranho em vista da multiplicidade de cargos nas seitas, organizações e grupos que existem agora, mas estas três classes acima, incluíam tôda a oficialidade autorizada numa igreja neo-testamentária.

O termo “ancião” entre os cristãos primitivos significava uma pessoa idosa, de idade avançada e experiente. Como os bispos eram assim, os termos “ancião” e “bispo” eram usados como sinônimos. Paulo “mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja” e lhes disse “atendeu por vós e por todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus” ( Atos 20:17-28). É ainda Paulo que escreve : “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as cousas restantes, bem como,  em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te escrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus” (Tito 1:5-7). Por que deveríamos presbíteros ter o caráter aqui descrito? Por que um bispo deve ser irrepreensível como despenseiro de Deus” (Tito 1: 5-7). Por que deveriam os presbíteros ter o caráter aqui descrito? Porque um bispo deve ser irrepreensível. Por tanto, os termos “anciãos”,”presbíteros” e “bispos” são usados para designar o mesmo cargo e são portanto sinônimos. Dando ainda outras instruções quanto aos deveres dos presbíteros, ou anciãos ou bispos, ou pastores também, Pedro diz : “Rogo, pois, aos presbíteros” e “bispos” são usados para designar o mesmo cargo e são portanto sinônimos. Dando ainda outra instruções quanto aos deveres dos presbíteros, ou anciãos ou bispos, ou pastores também, Pedro diz: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu presbítero como êles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada : Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangidos, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória” (I Pedro 5:1-4). Isto expressa os deveres do presbítero e lhe promete uma grande recompensa pelos seus labores. Mas os membros da igreja também têm obrigações que lhes advém dessa relação e por isso são assim admoestados: “Obedecei aos vossos guias, e sede submissos para com êles; pois velam por vossas almas, como quem deve prestar contas para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hebreus 13:17).

Nos tempos apostólicos existiram por algum tempo igrejas sem anciãos. No relato da primeira viagem missionária de Paulo, já quando Paulo e Barnabé voltavam e visitavam novamente as congregações que tinham deixado, lemos que “promovendo-lhes em cada igreja e eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem tinham crido” (Atos 14:23). Vemos por aí que essas igrejas tiveram mais de um presbítero (ou ancião, em algumas versões), porque lhes elegeram presbíteros em cada igreja. Temos aqui “igreja” usado no singular e”presbíteros” no plural. Alguns desses presbíteros proclamavam o Evangelho e outros não, de onde lermos “devem ser considerados merecedores de  dobrada honra os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (I Tim 5:17). Note-se ainda que êstes bispos, anciãos ou presbíteros eram escolhidos dentre cada congregação. Nunca lemos na Palavra de Deus de um bispo de igrejas, mas sim de bispos de igreja. A igreja do Nôvo Testamento era diferente de algumas igrejas dos nossos dias que têm um ancião sôbre muitas igrejas e um bispo sôbre uma diocese inteira. Estas que são assim organizadas não podem pretender serem neo-testamentárias.

Os diáconos da igreja eram incumbidos dos assuntos temporais da congregação. A primeira vez que vemos algumas pessoas sendo separadas para servirem as igrejas nesse mister, é no capítulo seis de Atos, quando foram escolhidos para servirem a igreja no receber, e no distribuir o sustento aos necessitados. Quanto aos qualificativos que deviam possuir, Paulo escreve: “Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (I Tim 3:8-10).

A igreja do Nôvo Testamento também tinha ministros, ou evangelistas, cuja responsabilidade principal era a de anunciar o Evangelho. Paulo é ainda quem recomenda, escrevendo: “prega a palavra, quer seja oportuno, quer não... faze o trabalho de evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (II Timóteo 4:2-5). Timóteo e Tito pertenciam a esta classe e como êles, ainda muitos outros que, nos dias apostólicos saíram a proclamar a salvação ao povo para “das trevas se converterem à luz e do poder de Satanás a Deus”, também para estabelecerem igrejas e confortarem os santos por um fiel ministério de Cristo e pedirem que sejam cheios do conhecimento da sua vontade, em tôda a sabedoria e inteligência espiritual (Col. 1:9).

Assim como bispo, presbítero ancião e também pastor, são sinônimos, também ministro e evangelista são têrmos usados para as mesmas pessoas. O nome “evangelista” é aplicado sòmente para Felipe (Atos 21:8) e Timóteo (II Tim. 4:5), enquanto que ministro é usado três vezes, referindo-se a Timóteo (I Tes. 3:2; I Tim. 4:6; II Tim. 4:5), duas vezes a Apolo (I Cor. 3:5; 4:1-6), duas vezes a Tíquico (Ef. 6:21; Col. 4:7) e uma vez para Epafras (Col. 1:7) e João Marcos (Atos 13:5).

Paulo só uma vez usa o têrmo “pastôres" em Efésios 4:11. Apesar de nas versões para o português não aparecer o têrmo “pregador” como substantivo, é a esta classe que se referem as seguintes citações: “Cristo Jesus que foi por nosso intermédio anunciado (em algumas versões “pregado”) entre vós, isto é, por mim e Silvano e Timóteo” (II Cor. 1:19). “Como, porém, invocarão aquêle em que não creram? E como crerão naquêle de quem nada ouviram? Como ouvirão, se não há quem preguue?” (Rom. 10:14-15); “Assim também ordenou o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” (I Cor. 9:14). Considerando o contexto desta última referência, isto é, versículos 7 a 13, torna-se claro que deve receber seus proventos, seu sustento, por seus trabalhos ministeriais.

Nas igrejas do Nôvo Testamento não houve títulos nem cargos mais elevados do que os mencionados acima. Não satisfeitos com estes, porém, o para e os sacerdotes têm se apropriado de têrmos que pertecem a Deus, como o “Sua Santidade, o Papa”, e “Santo Padre”. Os sacerdotes intitulam-se de “padre”, que quer dizer “pai”, em flagrante contradição às palavras de Jesus: “A ninguém sôbre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquêle que está no Céu” (Mateus 23:9). O têrmo “Pai” no sentido religioso é limitado a Deus, é proibido usá-lo para qualquer outra pessoa. Nenhum filho de Deus deveria fazer uso de qualquer desses títulos, estranhos ao Nôvo Testamento, para qualquer dignatário eclesiástico. Notamos ainda que o têrmo “reverendo” nunca é aplicado nas Escrituras para homem algum, quer apóstolo, bispo, ancião ou ministro. O têrmo no original quer dizer “tremendo” (Santo e tremendo é o Seu nome) e só é usado uma vez e sòmente para Deus e se encontra no Salmo 111, verso 9. Portando, cremos que nenhum ser humano tem direito a este título.

Os oficiais da Igreja de Cristo, apesar de não terem recebido os títulos a que os homens atribuíram maior dignidade eclesiástica, foram respeitados e honrados. Assim é que Paulo recomenda : “Agora vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máximo consideração, por causa do trabalho que realizam” (I Tes. 5:12-13). Outra vez, como já citamos : “Devem ser considerados merecedores de dobrada honra os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra do ensino” (I Tim. 5:17).

O apóstolo Pedro demonstra considerar honroso o cargo quando escreve: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós,eu, presbítero como êles...” (I Pedro 5:1).

Conclui-se daí que os ministros e oficiais da igreja, sob Cristo, devem ser estimados e considerados pela igreja segundo a sua fidelidade na obra importante para a qual foram chamados. Devemo-nos lembrar, também que todos os membros da igreja, sem consideração a cargos eclesiásticos, são “reis e sacerdotes para Deus”, “filhos de Deus, “ herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo”.

Toda a autoridade dos oficiais e eclesiásticos sob Cristo é concedida pela própria igreja, da qual Cristo é o cabeça. A soberania da igreja é demonstrada nas palavras de Jesus à igreja de Éfeso: “puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos” (Apoc. 2:2). A Soberania da igreja ainda é confirmada pela instrução dada por Paulo referente à disciplina. Êle escreve à igreja de Corinto “entregue a Satanás” (I Cor. 5:5). “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (I Cor. 5:13). Aos tessalonicenses êle escreve : “Nós vos ordenamos, irmãos em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes” (II Tes. 3:6). Estas passagens demonstram a soberania da igreja e incidentalmente, a importância da disciplina.

Tendo, portanto, demonstrado que os pregadores e oficiais eclesiásticos devem ser tido em estima e amor, que deve haver disciplina na igreja, que os membros incorporados na igreja são soberanos, queremos agora mostrar que a Igreja de Cristo é uma organização completa. Em tôda a congregação havia bispos ou anciãos para presidirem sôbre a igreja, para trabalharem pelo seu bem estar espiritual, resolverem os seus problemas, ampararem os fracos, animarem os tímidos, restaurarem os que estivessem afastados e edificarem todos na fé. Também diáconos foram instituídos para presidirem sôbre as atividades temporais da congregação, zelarem pelos necessitados; ministros ou evangelistas para levarem as novas de vida e salvação ao mundo, para estabelecerem novas congregações e estenderem as fronteiras de Sião. É a um dêstes que Paulo escreveu: “prega a palavra, instra, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com tôda a longanimidade e doutrina” (II Tim. 4:2).

Os oficiais da igreja do Novo Testamento pertenciam a uma destas três classes distintas e a nenhuma outra, pois outras não existiam. Não havia então arcebispos, cardeais, prelados, nem papa arrogando-se poderes políticos e eclesiásticos. Daí torna-se evidente que nenhuma igreja que difira da original, quer em oficiais ou organização, pode ser uma igreja neo-testamentária.

Capítulo II

ORDENANÇAS DA IGREJA

 As ordenanças e sua observância. A Ceia do Senhor. O primeiro dia da semana. O batismo cristão.

 Queremos agora chamar a atenção dos leitores e será nossa terceira consideração, partindo do capítulo anterior, para as ordenanças e sua observação. Para se descrever qualquer corporação, partindo do capítulo anterior, para as ordenanças. Algumas corporações religiosas diferem muita a êsse respeito; Algumas corporações religiosas diferem muito a êsse respeito; algumas aspergem água sôbre os que a elas se filiam; outras os imergem em água, e isto é suficiente diferença para caracterizar organizações, ainda que em outras coisas não haja diferença. A igreja apostólica observava uma ordenança que a distinguia de todas as outras corporações religiosas. Nos anais da religião e na história do mundo só aparece uma que comemora a morte de seu fundador. Enquanto se celebraram sempre os aniversários dos grandes, dos reis, fundadores de reinos e impérios, nunca se celebrou o dia de algum benfeitor da humanidade. Esta importante ordenança é chamada “Ceia do Senhor” “O partir do Pão”, e “A Comunhão do Sangue de Cristo e do Corpo de Cristo” (I Cor. 11:20 ; 10:16 ; Atos 20:7). E Cristo disse aos seus discípulos que o fizessem em memória dêle. Há um fato relacionado com o fundador dessa igreja, que, se não de todo, pelo menos em grande parte, explica esta singular e interessante comemoração: Êle morreu como antítipo prefigurado por cada uma das vítimas que foram sangradas sôbre os altares patriarcais ou judaicos. Êle veio na plenitude dos tempos e entregou sua vida como sacrifício pelos pecados do mundo, pois “sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” . A sua morte, portanto foi o ato mais expressivo do amor divino. Êle morreu para que os homens pudessem ter vida; Êle morreu para que os homens pudessem ter vida; Êle morreu para que as criaturas humanas não temessem a morte; Êle morreu para que a morte fosse desarmada e o terror da morte fôsse desarmada e o terror da morte fosse removido, para que o homem pudesse se soerguer das suas cinzas e pó para uma vida sem fim. Foi, portanto ordenado que sua morte, em vez do seu nascimento, fosse comemorada, pois a grande obra da redenção não havia sido realizada até que da cruz Êle tivesse exclamado : “Está consumado”. Portanto, é à morte de Cristo que os crentes se apegarão como o fundamento das suas gloriosas esperanças. Pois só por Sua morte seus discípulos esperam reviver e desfrutar das mansões que Êle lhes foi preparar.

A igreja de Cristo celebrava o dia em que o Filho de Deus triunfou da morte. Está escrito: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo... exortava-os” (Atos 20:7). Mas em qual dos primeiros dias celebravam êles a sua morte? Eram em todo o primeiro dia que o faziam. Em parte alguma das Escrituras consta que distinguissem algum primeiro dia ou dia do Senhor; todos os primeiros dias da semana eram igualmente santificados pelo mesmo grande evento, e guardados para a sua comemoração. Quando Deus ordenou a Israel, seu antigo povo, que guardasse o sábado, os israelitas não guardavam um só sábado em cada três meses ou quatro meses, mas os santificavam todos. Quando Deus ordenou a Israel que se lembrasse do sábado para o santificar, Êle estava referindo a todos os sábados; portanto quando lemos que os discípulos se ajuntavam no primeiro dia da semana para partir o pão, é natural concluir que faziam isto em todos os primeiros dias ou domingos, pois a fraseologia é a mesma em ambos os casos. Sendo isto, portanto, uma verdade que não pode ser contestada, perguntamos se qualquer igreja de nossos dias poderá alegar ser idêntica em prática à Igreja de Cristo, quando celebra a morte do Senhor sòmente umas três ou quatro vezes por ano? De acordo com o exemplo dos cristãos primitivos, os crentes em Cristo deveriam observar cada domingo o memorial da ressurreição do Senhor.

Notaremos que não há autoridade, dada pela Bíblia, para se usar a palavra “sábado” como significado a santificação do primeiro dia da semana. Os judeus observavam o último dia da semana, ou o sétimo, e is cristãos, o primeiro ou domingo. Os judeus se lembravam do dia do sábado para o santificar como um sinal (Êx. 31:17) e os cristãos se reuniam no dia da ressurreição para comemorarem a morte de Cristo. Enquanto a guarda do sábado é ordenada no quarto mandamento sob a lei de Moisés, não é a sua guarda, em parte alguma, imposta aos crentes sob Cristo. O Senhor ressuscitou no primeiro dia da semana, e à tarde do mesmo dia apareceu aos discípulos (João 20:1-19). No domingo seguinte (oito dias depois), estavam êles novamente reunidos e Êle se apresentou no meio deles (João 10:26). No dia de Pentecostes (que cai no domingo) desceu o Espírito Santo, e surgiu a Igreja cristã (Atos 2:1-4), 41,47).Paulo instruiu os gálatas e os coríntios (Cor. 16:1-2) a porem de parte o que pudessem quando se ajuntassem no primeiro dia da semana : Lucas ainda que João quando recebeu a revelação do Apocalipse, tinha sido arrebatado em espírito no dia do Senhor, ou domingo (Apo. 1:10). Era portanto o costumo e a prática uniforme das igrejas de Cristo observarem o primeiro dia da semana ou domigo e não sábado ou o sétimo dia, apesar de não haver qualquer referência a ordem para que fosse substituído o sábado pelo domingo. Alguns poderão, no entanto, dizer que se a morte de Cristo for comemorada todos os domingos, então a sua observância se tornará trivial. Cristo morreu tantas vezes quantas Êle ressuscitou. Um desses acontecimentos não poderá tornar mais trivial do que o outro. Por que então comemorar sua ressurreição cada domingo e não anunciar também no mesmo dia “a morte do Senhor, até que venha” ? (I cor. 11:26).

 A outra ordenança a que daremos atenção agora, é o batismo cristão. Já foi demonstrado que era este o ato consumatório ao entrar no Reino de Cristo ou Sua Igreja. Quanto à importância, já notamos que o batismo é o último passo para uma pessoa ser achada em Cristo. “Todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte” (Romanos 6:3). O batismo é  sagrado, unindo em si os nomes da Trindade. É o único ato exigido que tem que ser feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo – os nomes sagrados que são invocados sobre as pessoas que estão sendo batizadas em Cristo. Ainda é esta a unica ordenança que representa tanto o sepultamento como a ressurreição de Cristo. Os cristãos primitivos eram imersos e não aspergidos ou só molhados. Todos os estudiosos de nomeada, reconhecem que a imersão era a prática primitiva e muitas passagens das Escrituras permanecem sem sentido a não ser que este fato seja reconhecido. Tôdas as pessoas, portanto, que se filiavam à igreja primitiva era sepultados no batismo. Assim é que lemos “tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados... dentre os mortos” (Col. 2:12). De novo lemos “fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6:4,5). Há, porém, quem tenha modificado esta ordenança e desfigurado completamente o seu significado ao substituir seu modo original por outra forma que não representa o sepultamento e a ressurreição de Cristo. É consternador, portanto, testemunhar a aspersão de uma pessoa no some sagrado da Trindade, como se fosse batismo. Sentimo-nos impulsionados a exclamar como Maria junto ao sepulero: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram”.

As escrituras ensinam claramente que o crente arrependido, que é sepultado com Cristo no batismo, ressuscita para uma vida nova ( Rom. 6:3-11; Col. 2:12,13 ; I Pedrao 3:21). No entanto alguns ensinam que a nova vida pode vir sem sepultamento e ressurreição, e outros querem que os novos convertidos primeiro andem na nova vida, e depois sepultem os vivo em vez dos mortos.

 Há três ordenanças ou memoriais que hoje são a prova de grandes acontecimentos – a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo, fatos estes que Paulo declara constituírem “o evangelho” (I Cor. 15: 1-4). A primeira dessas é o domingo ou o Dia do Senhor, que é observado atualmente e o foi desde o princípio, em memória da ressurreição de Cristo. A segunda, a Ceia do Senhor, que é observada em memória de Sua morte. Terceira, o batismo que representa tanto o seu sepultamento como a sua ressurreição.

Estas importantes ordenanças memoriais não têm sido devidamente apresentadas como argumentos para provar os fatos que elas representam. São esta, elos vivos de uma corrente que se estende pelo passado até a cruz, e ao sepulero de José Arimatéia. As ordenanças da igreja eram, nos tempos apostólicos, usadas como provas dêsse fato. Paulo, ao escrever aos gálatas, diz : “Ó gálatas insensato! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?” (Gál. 3:1). Como poderia Cristo ter sido representado como crucificado entre os gálatas, na Ásia Menor, a não ser que o tivesse sido na representação simbólica de seu corpo quebrantado e do derramamento de seu sangue. Isto vai ao encontro do que o apóstolo Paulo escreve aos coríntios : “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Êle venha” (I Cor. 11:26). Assim é que quando os seguidores de Cristo participam da Ceia do Senhor, demonstram o fato da sua morte; quando o primeiro dia da semana é observado, estão demonstrado o grande fato da ressurreição; quando os crente são imersos no batismo, demonstram os dois fatos, o do sepultamento e o da ressurreição de Cristo (Rom. 6:3-5). A sabedoria divina foi quem instituiu estas ordenanças e elas prosseguirão conjuntamente, testificando a grande obra da redenção e os grandes fatos do evangelho até a consumação dos séculos.