Movimento de Restauração ou Restauração do Movimento

Por Pastor Alessandro C. Rocha

Manifesto:

“A todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade através de todas as igrejas” (Trecho da Declaração e Discurso do Movimento de Restauração)

Posso dizer com todas as letras que sou um apaixonado pela Igreja de Cristo a que faço parte, a mesma de onde nasci para a fé evangélica e hoje sou pastor para honra e glória daquele que me chamou das trevas para fazer sua luz brilhar, Cristo Jesus.

Somente quem faz ou fez parte desta igreja pode dizer com o coração quebrantado o que é congregar nela. A comunhão, os laços de amor em Cristo que são formados, a chama pelo viver para Deus queimando de forma extraordinária dentro de nossos corações, aprendemos a amá-la com todas as suas virtudes e defeitos. Isso mesmo ela tem defeitos e não são poucos. Digo abertamente que todas as Igrejas existentes têm erros doutrinários, o que não invalida em momento algum a grandeza e operosidade de Deus em seu meio.

O surgimento da Igreja de Cristo para mim soa em tom poético e grandioso, digno das grandes passagens bíblicas, ela surge em meio um avivamento no fim do século XVIII , promovia algo de espetacular, uma volta às escrituras, uma volta a vida e obra de Cristo apresentada pela Igreja neotestamentária tendo o velho Testamento como alegoria daquilo que haveria de vir, ou seja, em quanto o Velho Testamento clamava “O messias virá” o Novo Testamento Clama “O messias veio”, sendo então que tanto um quanto outro aponta para Cristo e o Reino que ele viria estabelecer neste mundo.

Além da aceitação do Novo Testamento com regra de fé e prática para a Igreja o Movimento também definiu questões sobre os sacramentos que divergiam até então entre alguns segmentos protestantes tais como o batismo (praticando o por imersão) e a santa ceia (praticada semanalmente ).

Algumas frases do Movimento ficaram marcadas na história e coração de cada membro das Igrejas de Cristo do Brasil, pois traduziam (e traduzem) mais que um sentimento, UMA ESPERANÇA E IDEAL: “No essencial, unidade; Nas opiniões, liberdade; Em todas as coisas, o amor";

" Não somos os únicos cristãos, mas somos unicamente cristãos";

" Nenhum credo além de Cristo; Nenhum livro além da Bíblia";

" Onde a Bíblia fala nós falamos; Onde a Bíblia cala nós calamos".

 

Os padrões estabelecidos pelo Movimento são sem dúvida padrões bíblicos que por sua vez agradam o coração de Deus, creio ainda que toda e qualquer denominação que tem por meta buscar viver os padrões estabelecidos pela Igreja Primitiva com sinceridade é muito válido. E isto deu certo! E ainda dá!

Além de buscar viver esta verdade proclamada por Cristo nos evangelhos propôs exaltar a Cristo acima de qualquer lealdade sectarista ou partidária e como meta o cumprimento da grande comissão. Posso dizer que com lágrimas nos olhos escrevo estas linhas...

Isso precisa mudar! O Movimento precisaria novamente de ser restaurado? Claro que não! O Movimento de Restauração não precisa de restauração, mas todas as Igrejas precisam reavaliar suas convicções doutrinárias, a esperança do seu chamamento e para onde estão caminhando.

Quando leio as 13 proposições da Declaração e Discurso me sinto constrangido. Lendo sua segunda proposição quando texto diz: “Que não deve haver divisão na comunhão nem rupturas na fraternidade das igrejas, ainda que a igreja de Cristo deva existir em congregações separadas, geograficamente distintas e independentes umas das outras” não é isso que vemos. Em nome de reinos próprios tem se deixado de lado essa graça maravilhosa que á a comunhão, do mutuo perdoar, do encorajar a fé um do outro, lembrando que de tropeços é o caminhar do vencedor. Precisamos lembrar que nenhuma visão pode superar a Palavra a quinta proposição diz: “Que nenhuma autoridade humana tenha o poder de criar leis para a igreja ou alterar as que têm sido dadas no Novo Testamento.”.

Lembro de Martinho Lutero quando diz: "Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias".

Precisamos nunca esquecer que seremos aceitos diante de Deus não pelo que temos/fazemos, mas pelo que somos verdadeiramente, e que Ser vem antes de Fazer/Ter. Não se move o coração de Deus pelo que possuímos, mas pela capacidade de renunciar e carregar diariamente a nossa cruz, para que Ele possa viver através de cada um de nós.

Não seria o caso de restaurar o movimento, mas de voltar as suas práticas e propósitos iniciais e se pudesse colocaria mais algumas proposições:

14ª – Rejeitar totalmente a teologia da prosperidade e suas ramificações,

15ª – Que a Palavra volte a ser o “centro” do culto e não mais os “Shows”

16ª – Que cada membro da Igreja Local seja ensinado a despeito de sua própria história.

Que Cristo reine em seus corações e que a cada dia deixemos de lado a sedução do mundo e possamos viver um evangelho mais simplista, sem meias verdades voltado para o único desejo que Cristo seja glorificado.

PRECISAMOS PREGAR JESUS URGENTEMENTE, NÃO PORQUE SE NÃO O FIZERMOS O MUNDO IRÁ SE PERDER, MAS PORQUE ELE JÁ ESTA PERDIDO E PRECISA DE UM SALVADOR!

 

 

Por: Pr. Alessandro C. Rocha

@osobreiros

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