Movimento de Restauração: A Igreja de Cristo de Volta às Origens - Restauração na Inglaterra

Restauração na Inglaterra

A Reforma Inglesa foi intensamente influenciada pelo humanismo cristão. Os humanistas buscavam se desvencilhar das estruturas medievais; buscavam recuperar documentos dos primeiros séculos que revelassem o cotidiano dos primeiros cristãos, denunciavam a corrupção na igreja e defendiam que somente através da mensagem bíblica se poderia restaurar a moral e promover a renovação espiritual (ALLEM, 1998, p. 52).

Erasmo de Rotterdam (1466-1536) e John Colet (1467-1519) foram humanistas cristãos cuja mensagem apontava para a importância das fontes. Essa mensagem foi decisiva pra precipitar a reforma inglesa com o surgimento dos puritanos. Outro acontecimento decisivo foi a tradução do Novo Testamento para o inglês, feita por William Tyndale, que, além do texto do texto principal, continha notas e prefácios, como os de Lutero em sua tradução do Novo Testamento para o alemão (ALLEM, 1998, p. 53).

Os puritanos se constituem no grupo restauracionista com maior influência sobre o Movimento de Restauração do século XIX. Vários fatores contribuíram para isso: Os puritanos se constituíram no grupo que mais vivenciou o conceito do precedente bíblico de Zwínglio e Heinrich Bullinger. Poucos grupos foram tão radicais contra as tradições e cerimônias religiosas como os puritanos. Eles acreditavam que o bem estar do povo dependia da restauração da Igreja.

O segundo fator foi a oposição do Reino Elisabetano aos pregadores radicais, o que acelerou o êxodo dos perseguidos para a América. Esse fator intensificou o desejo de uma igreja separada do Estado, portanto de liberdade, marca importante na pregação de Barton W. Stone, um dos fundadores do Movimento de Restauração.

A mensagem principal dos puritanos era pelo retorno à igreja primitiva. Mesmo que a Igreja Inglesa também tivesse forte apelo pela igreja apostólica do primeiro século, os puritanos a criticavam por entender que ela ainda não se enquadrava como igreja restaurada (ALLEM, 1998, p. 57).

Mas se puritanos e anglicanos concordavam que a igreja deveria praticar o cristianismo primitivo, em que se diferenciavam? A resposta é que, para os puritanos, a Bíblia continha todas as orientações e normas para serem vividas e a igreja deveria observá-las em tudo, enquanto a igreja Anglicana entendia que só precisava praticar as ordenanças necessárias para salvação; as outras práticas deveriam ser adaptadas para atender necessidades de outros tempos. Para resolver essa controvérsia que também está presente no século XIX, Stone e Campbell adotam o princípio do essencial e do não essencial, com uma tendência mais próxima do princípio adotado pela Igreja Anglicana (WALKER, 1980, vol. 2, p. 138-139).

Outros movimentos ao longo da história tiveram muito em comum com o movimento Campbell/Stone, tais como os anabatistas, os metodistas, os movimentos de santidade e os pentecostais. Tiveram, cada um com sua ênfase, o ideal de restaurar o cristianismo primitivo e assim apressar o início do reino milenar de Cristo.