O perfil do pastor do Movimento de Restauração Stone e Campbell no Brasil - AS QUALIDADES DOS PASTORES DO MOVIMENTO DE RESTAURAÇÃO STONE E CAMPBELL NO BRASIL

 

Com idade média de 48 anos, os pastores entrevistados possuem bom nível de leituras completas da bíblia, oito leituras. Metade deles formou-se em seminários que em sua grande parte são das Igrejas de Cristo, 23% foram formados em faculdades teológicas. O tempo de duração média na formação durou 2 anos e 8 meses e segundo informado com um bom aproveitamento.

Com respeito à vida devocional diária, a maioria investe cerca de uma hora e meia em leitura das escrituras e em oração. É uma boa média de dedicação, quando fazemos uma comparação com pesquisa feita com pastores batistas brasileiros onde 78% deles não estão satisfeitos com a autodisciplina no uso do tempo, 77% não está contente e satisfeito com o tempo que investe na vida devocional e 62% não tem culto doméstico regularmente em seu lar (REGA)3, e 72% pastores americanos só leem a bíblia quando vão pregar ou dá estudos (Schaeffer Institut)4
Em torno de 90% dos pastores são provenientes da própria Igreja de Cristo e apenas 10% vieram de outras denominações. Poucas igrejas sofreram divisões, apenas 5%, isso revela nosso DNA de flexibilidade e tolerância com relação as opiniões diferentes com respeito as doutrinas bíblicas não essenciais.

Um fator importante é que a pouca influência negativa da igreja local sobre a vida familiar do pastor, em contraposição a 80% dos pastores americanos que afirmam que o ministério pastoral tem afetado negativamente suas famílias. Muitos filhos de pastores não frequentam a igreja agora por causa do que os seus membros têm feito a seus pais. (BARNA)

Outro bom reflexo é que a maioria dos pastores, em torno de 60%, tem algum pastor amigo com quem compartilha os desafios, sofrimentos e tentações ministeriais e familiares. Em contrapartida 70% dos pastores americanos afirmam não possuir ninguém que seja considerado um amigo próximo (BARNA). A condição apontada pela maioria dos pastores da ICB que participaram da pesquisa é muito importante, pois o exercício do pastorado tornou-se um grande desafio em nossos dias. Pastores com suas famílias necessitam de cuidado contínuo, a fim de manterem-se saudáveis no ministério, pois a saúde do pastor e de sua família tem relação direta com o bem-estar da igreja.

Enquanto 95% dos pastores americanos não fazem devocional regularmente com suas famílias (BARNA), praticamente todos os pastores da nossa pesquisa, 95%, fazem devocionais com suas famílias. 40% reúnem-se diariamente com a família para orar e meditar nas escrituras, enquanto 21% fazem isso três vezes por semana. Temos então 61% dos pastores cuidando de perto de suas famílias, pastoreando-as de forma qualitativa.

A maioria das famílias dos pastores compartilha o ministério, geralmente em áreas como louvor e ministérios feminino e infantil. Isso revela que a família também sente-se responsável pelo ministério e vê a necessidade permanente do pastor (pai e esposo) de ser apoiado. Esse envolvimento também ajuda na compreensão das dificuldades e complexidades que o ministro sofre, gerando maior empatia em sua família e consequentemente unidade.

Em relação a formação de novos líderes o discipulado é a principal ferramenta do pastor para trabalhar com os novos candidatos. Não foi mensurado na pesquisa o que se entende por discipulado, sua frequência e efetividade na formação desses novos candidatos ao ministério. Esperamos que o modelo seja o de Cristo que é demonstrado nas escrituras, um discipulado onde o pastor é um servo que está desenvolvendo um relacionamento de amor, igualdade e respeito em busca do maior desenvolvimento dos dons e do chamado do irmão e amigo que está iniciando essa jornada ministerial ao seu lado.

Com respeito a área sexual 75% dos pastores entrevistados não caíram nesse pecado, esse é um índice bem próximo dos pastores dos Estados Unidos. Um dado preocupante é que 15% dos nossos pastores que respondiam a pesquisa ao chegarem nesse ponto param de responder todo resto da pesquisa ou pularam para outras perguntas. Por que não responderam? Por que não puderam confessar para uma folha de papel de onde não havia possibilidade de serem identificados? Excluímos então o fator medo. Esperamos que não seja dureza de coração e falta de arrependimento. Tal silêncio produz um som terrível!

Um ponto positivo revelado na pesquisa é que 80% dos pastores afirmaram que ministros que adulteram ou roubam estão completamente inabilitados para o pastorado. Surpreendentemente 90% dos entrevistados que se envolveram nesse pecado também concordam que o adultério desqualifica o pastor ao ministério. Esses irmãos estão no ministério, mas sentem-se moralmente inabilitados para o exercício do mesmo.

Esse parecer está em plena harmonia com a essência do Movimento de Restauração e sua história. Em conversa no ano passado na Atualização Ministerial das Igrejas de Cristo o Dr. Paul Blower, historiador e que foi o palestrante oficial do evento, afirmou ao autor que o “Movimento de Restauração Stone e Campbell não admitia no ministério um pastor que houvesse caído em adultério, e até hoje em algumas igrejas de Cristo nos Estados Unidos o padrão continua o mesmo”, afirmou o Dr. Blower. A mesma pergunta foi feita em pesquisa pelo autor aos seus alunos do Seminário Teológico Cristão do Brasil há um ano e 95% dos alunos, em sua maioria das igrejas de Cristo, afirmaram que o adultério e o roubo desqualificam completamente o pastor para o ministério.

Muitos pastores e igreja têm esse pecado como comum por termos tantos casos no Brasil de pastores, conhecidos e desconhecidos, que caíram em adultério e praticamente todos permanecem no ministério, mas como só falamos “onde a bíblia fala” notemos em primeiro lugar o que os textos bíblicos ordenam a respeito do pastor: “dever ser marido de uma só mulher” 1 Timóteo 3:2 e Tito 1:6. Esse “uma só” não é um artigo definido, mas é o feminino irregular do numeral 1, que significa apenas um. Um texto com a mesma estrutura gramatical é 1 Timóteo 5:9 falando de viúvas que “tenham sido esposa de um só esposo”, é uma contradição exegética textual dar cinco possibilidades interpretativas para os primeiros dois textos e compreender esse último de outra maneira. Ao olharmos a igreja dos primeiros séculos e os reformadores jamais aceitaram qualquer outro padrão para um pastor.
Em segundo lugar, nunca se discutiu nas pesquisas e na conversa com o Dr. Paul Blower a questão da salvação de pastores que caíram em adultério ou em roubo, mas a permanência dos mesmos no ministério. Pois sabemos o que as Escrituras Sagradas afirmam: “o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado” 1 João 1:9. Nunca se discute perda de salvação, mas a desqualificação para o ministério pastoral.
Em terceiro lugar não podemos tomar casos do Antigo Testamento como o de Davi para defender a permanência de um pastor no ministério depois de um adultério, pois Davi era um rei institucionalizado e não um pastor com os propósitos e critérios descritos no Novo Testamento.

E em quarto lugar, o que a sociedade tem como expectativa da pessoa de um pastor? Que confiança inspira um pastor nessas condições? Nos Estados Unidos a profissão de "Pastor" ficou em penúltimo lugar entre as profissões mais respeitadas, ficando à frente apenas de “vendedores de carros usados". (BARNA). Por que isso acontece? Um dos fatores é o mal testemunho de boa parte dos pastores, 33% confessaram envolvimento sexualmente com alguém da igreja. (BARNA).

Nossos irmãos de ministério pastoral, a igreja, a Palavra inerrânte e autoritativa de Cristo, a história do Movimento de Restauração, os reformadores, todos eles, não aceitam como pastores homens e mulheres de caráter decaído.
Que isso sirva de alerta a nós que estamos no pastorado e à futura geração de pastores, todos cônscios de que perderemos a aprovação de Deus e da sua igreja, caindo ainda em descrédito diante da sociedade, se trilharmos tal caminho.

3 Pesquisa realizada por Lourenço Stélio Rega, (com 511 pastores/CBB – 1997-2000)
4 Schaeffer Institut