O perfil do pastor do Movimento de Restauração Stone e Campbell no Brasil

POR GLAUCO CÉSAR DE MENDONÇA¹

INTRODUÇÃO

O presente artigo é parte da pesquisa de doutorado que está sendo orientada pelo Dr. Estevan Kirschner. A pesquisa foi realizada na Atualização Ministerial das Igrejas de Cristo nos dias 25 a 28 de maio de 2016 e tem como objetivo traçar o perfil dos pastores do Movimento de Restauração. Esse artigo está dividido em duas partes, a primeira mostra as qualidades dos pastores e a segunda as áreas de necessidade e sugestões. O autor não colocou todos os dados da pesquisa, mas somente aqueles que considera mais pertinentes para promover o diálogo e a tomada de estratégias, a fim de que, como Igrejas de Cristo, possamos permanecer mais fiéis aos valores e intensões do Movimento de Restauração Stone e Campbell.

Como não dispomos no Brasil de pesquisas em âmbito nacional sobre perfil de pastores, só o que temos são raríssimas pesquisas denominacionais e com acesso restrito, precisamos lançar mão de pesquisas internacionais para fazer um contraponto e ter um referencial com a presente pesquisa. Uma das pesquisas mais amplas e respeitadas é a realizada pelo Seminário de Fuller, o Instituto Barna e Pastoral Care Inc.²

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1 O autor foi convertido a Jesus na Igreja de Cristo de Taguatinga em 1988, sendo pastoreado pelos pastores Edson de Gouveia e Edson Lobo, que até hoje continuam sendo seus mentores. Casou-se em 94 com Daniela membra da Igreja de Cristo de Ceilândia Sul e foram enviados pela igreja de Taguatinga para estudarem na Universidade das Nações no Chile por dois anos. Voltaram e serviram junto ao pastor Waldiberto de 97 a 99. São professores do Seminário Cristão do Brasil desde 98. E desde dois mil Pastoreiam a Igreja de Cristo Discípulos em Samambaia, onde nasceram seus filhos, Isabelle (14) e Mateus (11). O autor finaliza esse ano o mestrado em Teologia Bíblica pelo SETECEB e cursa o segundo semestre de Doutorado em Ministério pelo seminário Servo de Cristo em São Paulo.

²Aqui essa pesquisa é descrita como Barna.


 

Com idade média de 48 anos, os pastores entrevistados possuem bom nível de leituras completas da bíblia, oito leituras. Metade deles formou-se em seminários que em sua grande parte são das Igrejas de Cristo, 23% foram formados em faculdades teológicas. O tempo de duração média na formação durou 2 anos e 8 meses e segundo informado com um bom aproveitamento.

Com respeito à vida devocional diária, a maioria investe cerca de uma hora e meia em leitura das escrituras e em oração. É uma boa média de dedicação, quando fazemos uma comparação com pesquisa feita com pastores batistas brasileiros onde 78% deles não estão satisfeitos com a autodisciplina no uso do tempo, 77% não está contente e satisfeito com o tempo que investe na vida devocional e 62% não tem culto doméstico regularmente em seu lar (REGA)3, e 72% pastores americanos só leem a bíblia quando vão pregar ou dá estudos (Schaeffer Institut)4
Em torno de 90% dos pastores são provenientes da própria Igreja de Cristo e apenas 10% vieram de outras denominações. Poucas igrejas sofreram divisões, apenas 5%, isso revela nosso DNA de flexibilidade e tolerância com relação as opiniões diferentes com respeito as doutrinas bíblicas não essenciais.

Um fator importante é que a pouca influência negativa da igreja local sobre a vida familiar do pastor, em contraposição a 80% dos pastores americanos que afirmam que o ministério pastoral tem afetado negativamente suas famílias. Muitos filhos de pastores não frequentam a igreja agora por causa do que os seus membros têm feito a seus pais. (BARNA)

Outro bom reflexo é que a maioria dos pastores, em torno de 60%, tem algum pastor amigo com quem compartilha os desafios, sofrimentos e tentações ministeriais e familiares. Em contrapartida 70% dos pastores americanos afirmam não possuir ninguém que seja considerado um amigo próximo (BARNA). A condição apontada pela maioria dos pastores da ICB que participaram da pesquisa é muito importante, pois o exercício do pastorado tornou-se um grande desafio em nossos dias. Pastores com suas famílias necessitam de cuidado contínuo, a fim de manterem-se saudáveis no ministério, pois a saúde do pastor e de sua família tem relação direta com o bem-estar da igreja.

Enquanto 95% dos pastores americanos não fazem devocional regularmente com suas famílias (BARNA), praticamente todos os pastores da nossa pesquisa, 95%, fazem devocionais com suas famílias. 40% reúnem-se diariamente com a família para orar e meditar nas escrituras, enquanto 21% fazem isso três vezes por semana. Temos então 61% dos pastores cuidando de perto de suas famílias, pastoreando-as de forma qualitativa.

A maioria das famílias dos pastores compartilha o ministério, geralmente em áreas como louvor e ministérios feminino e infantil. Isso revela que a família também sente-se responsável pelo ministério e vê a necessidade permanente do pastor (pai e esposo) de ser apoiado. Esse envolvimento também ajuda na compreensão das dificuldades e complexidades que o ministro sofre, gerando maior empatia em sua família e consequentemente unidade.

Em relação a formação de novos líderes o discipulado é a principal ferramenta do pastor para trabalhar com os novos candidatos. Não foi mensurado na pesquisa o que se entende por discipulado, sua frequência e efetividade na formação desses novos candidatos ao ministério. Esperamos que o modelo seja o de Cristo que é demonstrado nas escrituras, um discipulado onde o pastor é um servo que está desenvolvendo um relacionamento de amor, igualdade e respeito em busca do maior desenvolvimento dos dons e do chamado do irmão e amigo que está iniciando essa jornada ministerial ao seu lado.

Com respeito a área sexual 75% dos pastores entrevistados não caíram nesse pecado, esse é um índice bem próximo dos pastores dos Estados Unidos. Um dado preocupante é que 15% dos nossos pastores que respondiam a pesquisa ao chegarem nesse ponto param de responder todo resto da pesquisa ou pularam para outras perguntas. Por que não responderam? Por que não puderam confessar para uma folha de papel de onde não havia possibilidade de serem identificados? Excluímos então o fator medo. Esperamos que não seja dureza de coração e falta de arrependimento. Tal silêncio produz um som terrível!

Um ponto positivo revelado na pesquisa é que 80% dos pastores afirmaram que ministros que adulteram ou roubam estão completamente inabilitados para o pastorado. Surpreendentemente 90% dos entrevistados que se envolveram nesse pecado também concordam que o adultério desqualifica o pastor ao ministério. Esses irmãos estão no ministério, mas sentem-se moralmente inabilitados para o exercício do mesmo.

Esse parecer está em plena harmonia com a essência do Movimento de Restauração e sua história. Em conversa no ano passado na Atualização Ministerial das Igrejas de Cristo o Dr. Paul Blower, historiador e que foi o palestrante oficial do evento, afirmou ao autor que o “Movimento de Restauração Stone e Campbell não admitia no ministério um pastor que houvesse caído em adultério, e até hoje em algumas igrejas de Cristo nos Estados Unidos o padrão continua o mesmo”, afirmou o Dr. Blower. A mesma pergunta foi feita em pesquisa pelo autor aos seus alunos do Seminário Teológico Cristão do Brasil há um ano e 95% dos alunos, em sua maioria das igrejas de Cristo, afirmaram que o adultério e o roubo desqualificam completamente o pastor para o ministério.

Muitos pastores e igreja têm esse pecado como comum por termos tantos casos no Brasil de pastores, conhecidos e desconhecidos, que caíram em adultério e praticamente todos permanecem no ministério, mas como só falamos “onde a bíblia fala” notemos em primeiro lugar o que os textos bíblicos ordenam a respeito do pastor: “dever ser marido de uma só mulher” 1 Timóteo 3:2 e Tito 1:6. Esse “uma só” não é um artigo definido, mas é o feminino irregular do numeral 1, que significa apenas um. Um texto com a mesma estrutura gramatical é 1 Timóteo 5:9 falando de viúvas que “tenham sido esposa de um só esposo”, é uma contradição exegética textual dar cinco possibilidades interpretativas para os primeiros dois textos e compreender esse último de outra maneira. Ao olharmos a igreja dos primeiros séculos e os reformadores jamais aceitaram qualquer outro padrão para um pastor.
Em segundo lugar, nunca se discutiu nas pesquisas e na conversa com o Dr. Paul Blower a questão da salvação de pastores que caíram em adultério ou em roubo, mas a permanência dos mesmos no ministério. Pois sabemos o que as Escrituras Sagradas afirmam: “o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado” 1 João 1:9. Nunca se discute perda de salvação, mas a desqualificação para o ministério pastoral.
Em terceiro lugar não podemos tomar casos do Antigo Testamento como o de Davi para defender a permanência de um pastor no ministério depois de um adultério, pois Davi era um rei institucionalizado e não um pastor com os propósitos e critérios descritos no Novo Testamento.

E em quarto lugar, o que a sociedade tem como expectativa da pessoa de um pastor? Que confiança inspira um pastor nessas condições? Nos Estados Unidos a profissão de "Pastor" ficou em penúltimo lugar entre as profissões mais respeitadas, ficando à frente apenas de “vendedores de carros usados". (BARNA). Por que isso acontece? Um dos fatores é o mal testemunho de boa parte dos pastores, 33% confessaram envolvimento sexualmente com alguém da igreja. (BARNA).

Nossos irmãos de ministério pastoral, a igreja, a Palavra inerrânte e autoritativa de Cristo, a história do Movimento de Restauração, os reformadores, todos eles, não aceitam como pastores homens e mulheres de caráter decaído.
Que isso sirva de alerta a nós que estamos no pastorado e à futura geração de pastores, todos cônscios de que perderemos a aprovação de Deus e da sua igreja, caindo ainda em descrédito diante da sociedade, se trilharmos tal caminho.

3 Pesquisa realizada por Lourenço Stélio Rega, (com 511 pastores/CBB – 1997-2000)
4 Schaeffer Institut


1. TEOLÓGICA

O primeiro alerta e o mais fundamental de todos é o aspecto teológico dos pastores. O Movimento de Restauração nasceu sob o fundamento teológico reformado, nossas raízes teológicas são reformadas. Entretanto 95% dos entrevistados denominaram-se pentecostais ou neopentecostais em sua orientação teológica e apenas 5% identificou-se como Reformado.

O pentecostalismo originado na rua Azuza nos Estados Unidos no final do século 19 tinha como alguns dos seus pilares a busca de uma vida cheia do Espírito Santo, os dons espirituais, a santificação pessoal e a pregação fervorosa com vista a evangelização dos não cristãos. A maioria dos pastores entrevistados, dado a idade média de 48 anos, desfrutou do final desse movimento pentecostal com esses pilares. O pentecostalismo e o neopentecostalismo não têm nada a ver com esses fundamentos do movimento da rua Azuza.

Desde a década dos anos 70 tem havido uma mudança sensível nas marcas teológicas do pentecostalismo, tornando-se crítica a partir dos anos 90 com o desenvolvimento expressivo do neopentecostalismo. Isso não se deu apenas no Brasil, antes, segundo o estudo desenvolvido pela Dra. Catherine Bowler essa mudança vem acontecendo nos Estados Unidos desde a década dos 40 com a indústria do show gospel, onde foram cunhados nomes como “arena gospel”. A Dra. Bowlew desenvolveu sua tese de doutorado por dez anos na Duke University e tornou-se um livro intitulado Blessed/Abençoado, a História do Evangelho da Prosperidade na América (2013).

Segundo ela o pentecostalismo foi dominado pelo pensamento do movimento da fé que dominou também o neopentecostalismo. Ela buscou a origem desse movimento e a história da religião americana mostra que ele nasceu da união das religiões animistas dos índios americanos e dos escravos africanos, que gera a confissão positiva (o que você fala acontece, profetiza o que você quer), a mentalização daquilo que você deseja, a fé que é o poder gerador das bênçãos materiais, e os deuses que orbitam agindo e obedecendo a esse poder humano da fé.
Segundo esse estudo existem marcas que identificam o movimento de fé e que ultrapassam o caráter denominacional e eclesiástico:

“Em primeiro lugar, o movimento está centrado na fé. É concebido de uma fé que é como um ‘ativador’, um poder dado aos crentes que ligado ou desligado forças espirituais e transforma a palavra falada em realidade. Segundo e terceiro, respectivamente, o movimento representado pela fé torna-se palpavelmente através da demonstração de riqueza e saúde. Pode ser medido pela riqueza financeira e de saúde física, a realidade material de saúde e prosperidade financeira refletem o sucesso da fé imaterial. Por último, o movimento da fé é marcado pela vitória. Crentes de grande fé que não encontram nenhum impedimento na cultura política, social ou econômica para sua fé, e nenhuma circunstância pode parar esses crentes de viver em vitória total aqui na terra... Apesar de suas origens no final do século XIX, o evangelho da prosperidade se enraizou principalmente nos avivamentos pentecostais dos anos pós- Segunda Guerra Mundial. Ele atingiu a maturidade pelo final 1970 como um robusto movimento pandenominacional, ganhando uma plataforma nacional e uma sólida rede de igrejas, ministérios, publicações e programações. A vitória da fé, riqueza, saúde serviu como as principais características deste fenómeno americano.” (BLESSED, p.8)5

O pensamento positivo ou confessionalismo, traduzido em frases como: ‘o que você pensa você cria’, ‘você atrai o que você pensa’, ‘você é aquilo que você pensa’, é uma magia mental, metafísica, que assume duas formas principais: o mental e o material. A historiadora Catherine L. Albanese é autora de a Republic of Mind and Spirit: A Cultural History of American Metaphysical Religion [Uma República da Mente e do Espírito: História Cultural da Religião Metafísica Americana]. Ela é também professora da cátedra J.F. Rowny de Religiões Comparadas e chefe do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. Ela afirma que a magia do pensamento positivo nasce no final do século XIX quando muitos desejavam manipular os planos físico e espiritual, ela emprega no aspecto material “períodos, símbolos, artefatos e ações” para efetuar mudanças na vida daquele que confessa positivamente, enquanto a magia mental, fez uso de “visão, sonho, meditação e oração afirmativa.” (ALBANESE, República da Mente, p.7). Ela segue dizendo que a América nessa época era um viveiro de magia mental, repleto de transcendentalismo, espiritismo, maçonaria, e, de particular interesse aqui, novo pensamento da fé. Unido a isso vieram os pensadores que alimentaram uma determinada espécie de magia mental, plantando as sementes do evangelho da prosperidade atual.

O processo deu-se com a descoberta da hipnose com Franz Anton Mesmer do (1733-1815), tomou alguma forma com Phineas Parkhurst Quimby (1802-1866), inventor e curandeiro, que trouxe ideias sobre poder mental para a maturidade. Quimby seguiu os passos de Mesmer como um hipnotizador por diversão; mais tarde, como um médico bem-sucedido, ele tropeçou em descobertas sobre o subconsciente humano, incluindo a eficácia de placebos e "cura pela fala", um precursor da psicoterapia moderna.

Vemos que a mensagem pregada 70% das igrejas no Brasil não é bíblica, não é evangelho, não salva ninguém, mas é maligno da raiz aos frutos. Não posso me estender nesse tema, mas o faço em minha tese de mestrado6.

Observemos que o movimento está centrado na fé, não em Cristo. Nesse conceito teológico, Cristo orbita a fé daquele que crê, abençoando e provendo a vitória que esse crente deseja. São mensagens, livros, revistas, programas na mídia, músicas, shows, etc. que evocam o ser humano que crê a tomar posse das bênçãos materiais que determinam sua vitória. Deus é o mero abençoador, papai Noel, banqueiro bonzinho, o milagreiro, o curandeiro, o concerta meus erros. São mensagens humanistas, materialistas, com alto nível de psicologização, onde não cabem pecado, culpa, arrependimento, cruz e muito menos inferno. Só há espaço para equívocos, problemas, ataques do inimigo, vitória, bênçãos, curas, milagres, prosperidade financeira e agora a unção do esquecimento dos pecados cometidos na campanha de Manasses e Efraim.

O que concluímos: temos uma teologia saudável? “Onde a bíblia fala, estamos falando”? e onde “ela cala nos calamos”? Não estamos confrontando as mensagens, métodos e conceitos atuais com as Escrituras Sagradas. Temos bons índices de leitura da bíblia, mas é como se estivéssemos voando de helicóptero sobre uma cidade, sabemos onde estão os grandes monumentos, mas não conhecemos as ruas e casas dessa cidade. O que realmente necessitamos é o estudo profundo das escrituras e a continuidade da formação teológica de nossos pastores.

Algo que pode nos ajudar é a leitura e o estudo orientado por algum catecismo reformado7. A maioria dos pastores brasileiros nunca teve contato com algum catecismo e adquiriram uma certa aversão a eles, mas sem nunca tê-los conhecido. O nosso lema “nenhum livro só a bíblia” não quer dizer que não podemos ler e estudar outros livros, mas que em tudo a bíblia é o padrão de regra e conduta. A sugestão não é para que você adote um catecismo para sua igreja, mas que você o estude com ela. Os catecismos reformados que nortearam a fé de Stone e Campbell, estão pautados nas Escrituras e sintetizam para um melhor aprendizado e uso no evangelismo as doutrinas fundamentais do evangelho. Outro catecismo é o de Westminster (1648) com 196 perguntas e respostas que adultos e crianças estudavam e memorizavam em devocionais nos lares e nos cultos aos domingos. Observe a primeira pergunta e a resposta do catecismo de Heidelberg (1563), ele tem a intensão de preparar o novo convertido ao batismo e solidificar os primeiros passos de um cristão. Avaliemos quantos membros de nossas igrejas responderiam adequadamente e com tanta profundidade a essa pergunta:

Qual é o teu único conforto na vida e na morte?

O meu único fundamento é meu fiel Salvador Jesus Cristo (1). A Ele pertenço, em corpo e alma, na vida e na morte (2) , e não pertenço a mim mesmo (3). Com seu precioso sangue Ele pagou (4) por todos os meus pecados e me libertou de todo o domínio do diabo (5). Agora Ele me protege de tal maneira (6) que, sem a vontade do meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo (7). Além disto, tudo coopera para o meu bem (8). Por isso, pelo Espírito Santo, Ele também me garante a vida eterna (9) e me torna disposto a viver para Ele, daqui em diante, de todo o coração (10).

(1) 1Co 3:23; Tt 2:14. (2) Rm 14:8; 1Ts 5:9,10. (3) 1Co 6:19,20. (4) 1Pe 1:18,19; 1Jo 1:7; 1Jo 2:2,12. (5) Jo 8:34-36; Hb 2:14,15; 1Jo 3:8. (6) Jo 6:39; Jo 10:27-30; 2Ts 3:3; 1Pe 1:5. (7) Mt 10:29,30; Lc 21:18. (8) Rm 8:28. (9) Rm 8:16; 2Co 1:22; 2Co 5:5; Ef 1:13,14. (10) Rm 8:14; 1Jo 3:3.

Veja como cada frase foi elaborada cuidadosamente e apoiada em versículos. Esse é um trabalho de excelência extraordinária. Esses catecismos estão postados gratuitamente na internet para que possamos. Não seria maravilhoso se nossas famílias e igrejas estudassem seriamente esses textos?

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5 Tese de doutorado feita pela Dra. Catherine Bowler, intitulada: A História do Evangelho da Prosperidade na América. Aqui sinalizada por Blessed.
6 A Minha Graça Não Te Basta: Resgatando a Teologia da Graça de Deus Revelada em Paulo.
7 http://www.arpav.org.br/arpav/index.php?view=category&id=42%3Aconfissoes-e-catecismos- reformados&option=com_content&Itemid=70 (Visitado em 23/09/2016)

 

2. FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PASTORES EM EXERCÍCIO E A FORMAÇÃO DOS VOCACIONADOS AO MINISTÉRIO

Outro desafio é ver que apenas 2% dos pastores em exercício ministerial deram continuidade a formação teológica. Esses pastores estudaram em média 2 anos e 8 meses, o que é pouco, e ainda temos 27% dos que não possuem nenhum tipo de formação teológica. Essa é uma soma de fatores perigosa.

O autor estava ministrando há dois anos aos alunos internos do Seminário Teológico Cristão do Brasil que estavam no último semestre do curso e iriam ingressar no ministério e todos confessaram que nunca haviam lido a bíblia completa nenhuma vez. O Movimento de Restauração no Brasil não possui um fundamento teológico saudável, porque a maioria dos pastores abandonou a teologia reformada e abraçou o pentecostalismo e o neopentecostalismo. Somamos a isso uma parcela de candidatos ao ministério que estão em seminários que não levam a sério as escrituras.

As perguntas que o Dr. Russel Shedd vem fazendo a todas as denominações precisam nos alcançar: Qual será o futuro das igrejas de Cristo no Brasil nos próximos 30 anos? O que se estará ensinando? Teremos nascidos de Deus nas igrejas ou frequentadores de cultos? Precisamos ser extremamente criteriosos e exigentes quanto a formação dos novos pastores, porque disso depende a saúde e sobrevivência das igrejas de Cristo. Não nos esqueçamos que foram os desvios teológicos que destruíram a maior parte das sete igrejas do Apocalipse, o mesmo aconteceu com as igrejas na Europa e é o que está acontecendo com parte da igreja dos Estados Unidos. Seríamos ingênuos em pensar que podemos levar esse assunto como algo secundário, por sentirmos que estamos imunes a esses desastres.

Nosso sistema de governo de igrejas independentes exige homens profundamente transformados pelo Espírito Santo em caráter e atitudes. Homens santos que nunca dividiram igreja, não caíram em adultério, não roubaram, que têm o nome limpo, com famílias ajustadas, todos os critérios de 1 Timóteo 3. O ministério não é lugar para testes, mas para homens que tenham sido “aprovados por Deus, a ponto de nos confiar Ele o evangelho” 1 Ts. 2:4.

Precisamos pensar e rever seriamente a formação teológica que temos. Imagine o desastre desses dados na salvação dos não-cristãos e na saúde da igreja: 90% dos pastores americanos sentem que foram inadequadamente treinados para lidar com as exigências do ministério; 90% dos pastores afirmaram que o ministério era completamente diferente do que eles pensavam que seria antes de entrar nele e 50% sentem-se incapazes de satisfazer as exigências do trabalho. (BARNA). Será essa uma realidade apenas americana?

Nós não podemos enviar vocacionados para o treinamento sem trabalhar questões primárias como conhecimento das escrituras e caráter. Nossos seminários precisam parar de receber gente atoa e problemática para treinar seriamente os vocacionados que a igreja local identifica, respalda e envia.

Sou extremamente a favor de plantação de igrejas, mas não de qualquer maneira. Nos Estados Unidos 4.000 novas igrejas começam a cada ano e 7.000 igrejas fecham suas portas; mais de 1.700 pastores deixaram o ministério por mês no ano passado, no Brasil foram 1.500 (LifeWay)8; mais de 1.300 pastores foram demitidos pela igreja local a cada mês, muitos sem motivo justificado e mais de 3.500 pessoas por dia deixaram a igreja no ano passado. Muitas denominações denunciam uma "crise do púlpito vazio"(BARNA). Eles não podem encontrar pastores dispostos a preencher vagas no ministério. O Dr. e pastor Carl Bosma professor do Calvin Seminary disse que sua denominação perdeu 27% dos membros em dez anos9.

Infelizmente não estamos distantes dessas realidades. Não podemos pensar apenas em abrir novas igrejas, mas fortalecer as já existentes com seus pastores, reavaliar o tipo de formação que damos aos vocacionados e investir na formação continuada dos pastores em exercício, especializações, consultas ministeriais, encontros de oração e mestrados com foco pastoral. Os ministérios e as igrejas locais precisam promover oportunidades para seus pastores retornem ao estudo acadêmico associado ao pastorado da igreja local. É crítico tratar desses temas de forma específica na Atualização Ministerial e em encontros voltados para os desafios ministeriais. Promover encontros semanais entre pastores que estão em cidades próximas para expor essas situações, enfim, podemos nos fortalecer uns aos outros. Finalizo esse ponto com as palavras de João Calvino, que elas nos confrontem e inspirem no ofício que o Senhor do ministério da Palavra:

“Uma vez que o Senhor quis que tanto a sua palavra como as suas ordenanças (ceia e batismo) fossem dispensadas e administradas por meio do ministério de homens é necessário que hajam pastores ordenados nas igrejas para ensinarem ao povo a sã doutrina pública e privadamente, administrar as ordenanças e darem a todos o bom exemplo de uma vida pura e santa. Lembremo-nos contudo, que a autoridade que as Escrituras atribuem aos pastores é totalmente contida dentro dos limites do ministério da Palavra, pois o fato é que Cristo não deu essa autoridade aos homens, mas sim a Palavra da qual ele faz esses homens servos. Portanto que os ministros da Palavra se disponham a fazer todas as coisas por meio dessa Palavra que eles foram designados a apresentar, que eles façam que todos os poderes, todas as celebridades e todas as pessoas de alta posição no mundo, se humilhem a fim de obedecerem a majestade dessa Palavra. Por meio dessa Palavra que os ministros deem ordem a todo mundo, dos maiores aos menores, que eles edifiquem a casa de Cristo, ponham abaixo o reino de satanás, pastorem as ovelhas, matem os lobos, instruam e encorajem os que se deixam ensinar, acusem e repreendam, convençam os rebeldes dos seus pecados, mas tudo pela Palavra de Deus. Se alguma vez esses ministros se apartarem da Palavra para seguirem as fantasias e invenções das suas próprias cabeças, então daí em diante não devem ser recebidos como pastores, ao contrário, esses são lobos perniciosos, que devem ser postos para fora, pois Cristo estabeleceu que não devemos dar ouvidos a ninguém, exceto aqueles que nos ensinam o que extraíram da sua Palavra.” Calvino. (Breve Instrução Cristã 1537)

A idade média dos pastores das igrejas de Cristo é avançada, 48 anos, coincidentemente é a mesma média dos líderes de grupos pequenos da igreja do Yodo do Evangelho Pleno do Pr. Cho na Coréia. Isso tem-se tornado para eles um fator de grande preocupação, por isso o Dr. Cho está envolvido diretamente em despertar os jovens vocacionados da igreja. Isso também precisa tornar-se um alvo de atenção e investimento de nossa parte. Rogar ao “Senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara” Mt. 9:37-38. O Senhor vocaciona/chama para o ministério, oremos para que o Seu Espírito desperte as novas gerações para servi-Lo no privilégio do pastorado. Talvez uma dificuldade que nós pastores temos é de identificar alguém que foi verdadeiramente vocacionado. Ele traz algumas características e precisa ter qualidades de caráter antes de adentrar ao ministério. Poderíamos fazer um fórum para aprendermos à luz das escrituras a identificarmos e treinarmos os vocacionados.

O pastoreio é uma arte que apenas a academia não consegue capacitar, é necessário ser a “sombra” de um pastor mais velho, acompanhando-o desde sua vida devocional, aconselhamentos, reuniões ministeriais, resolução de conflitos pessoais, familiares e pastorais, até o preparo das suas mensagens. A fusão da academia e da prática ministerial talvez seja a melhor maneira de capacitar os novos candidatos ao ministério.

8 https://noticias.gospelmais.com.br/15-mil-pastores-abandonam-ministerio-pastoral-todos-meses-34607.html visitado no dia 21/09/2016
9 O Evangelho todo para toda a Cidade - Portanto, Orai! - Pr. Carl Bosma https://www.youtube.com/watch?v=- GZ95MN1Ywo


CONCLUSÃO

Espero que esses dados preliminares possam nos levar a avaliações positivas e ao crescimento da nossa tão amada Igreja de Cristo. Estarei ampliando essa pesquisa para uma melhor visibilidade não apenas dos pastores, como também das igrejas locais.

Gostaria de convidar a todos os pastores do Movimento de Restauração a reflexão e ao diálogo edificante para tomadas de decisões, a fim de aperfeiçoar a obra do ministério do nosso Mestre e servi-Lo com maior integridade e excelência. Especialmente quero convidar os pastores Édson de Gouveia, Gerson Vicente, Edson Lobo, Edmilson Gouveia, André Rocha e Bruno Moraes a ampliarem ideias e soluções.