História das Igrejas de Cristo no Brasil

Este artigo trata da Igreja no Brasil, seus líderes locais, suas instituições, suas igrejas.

As primeiras igrejas
Os Sanders chegam a Goiânia – GO, em março de 1948, à espera da construção de Brasília. Em 1949, abrem, na Vila Nova, uma Escola Bíblica de alfabetização para, em seguida, dar início à primeira Igreja de Cristo no Brasil. Ato contínuo, David e Ruth Sanders conseguem uma quadra inteira – um “quarteirão”, era como se falava na época – em um assentamento na periferia de Goiânia, Bota-Fogo, hoje, Setor Universitário.

Com o estabelecimento desses dois núcleos, os missionários, Sanders, Ewing, Ruth Spurgen, resolvem adquirir um terreno no interior do estado, para ter um acampamento. Nasce, assim, a Igreja de Cristo de Silvânia - Go. A quarta igreja, no Setor Bueno, anexa ao Instituto Cristão de Goiânia, nasce como capela do Instituto Bíblico.

Depois, vem Vila Fama, hoje, Norte de Goiânia, fruto de negociação entre a Missão Cristã do Brasil (MCB) e a Missão Novas Tribos, que estava fechando sua base em Goiânia, indo para o interior.

Outras igrejas nascem nesta década (1960-70). Em Belém – PA, chegam algumas famílias, que não tinham conhecimento do trabalho no Centro-Oeste, abrindo as portas na região Norte: Pará (Belém), Amazonas, Amapá e Goiás (Araguarina, que, hoje, é estado de Tocantins). E duas famílias de missionários migram para o Sudeste brasileiro: Artur Carter abre em Belo Horizonte, e Eugene Smit, em São Paulo; Voltando para o Centro-Oeste, Geraldo Holmquist abre a Igreja de Cristo em Anápolis, no Bairro Jundiaí.

Pela MICB, Dale H. McAfee abre em Ceres – GO. Enquanto, no Distrito Federal, os Sanders recebem o lote número 001 para igrejas, no Plano Piloto – mais especificamente, na EQS 305/306 –; e Bill Loft, vindo de Belém, abre a primeira Igreja em Taguatinga – DF, vindo, em seguida, Bill Metz, para a abrir a Igreja do Gama – DF.

Os primeiros líderes brasileiros
Nesta primeira década (50-60), surgem os primeiros obreiros, quase todos ligados ao Instituto Cristão de Goiânia e à Igreja Vila Nova. São eles: Valdor G. Abreu Pena, Anabor Inácio de Macedo, Florisvaldo Moreira Santos, Iderval Gonçalves Ramos, Diogo e Geraldo, José Nascimento, Dorvalina dos Santos, Aldir e Dírir dos Santos, e Alice Ribeiro.

Algum destaque deve ser dado, ainda que para uma década de poucas oportunidades. Valdori foi o primeiro líder com curso superior; estudou no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP); traduziu o livro: “Treinamento para o serviço cristão”, em 1964; trabalhou no Itamarati, em Brasília – DF, servindo, em seguida, como adido comercial do Brasil nos EUA e Colômbia.

Outro foi Anabor, líder dos alunos do ICG, e evangelista em Vila Nova e, depois, Brasília e Taguatinga. Também, Florisvaldo, ótimo cantor, que chegou a gravar um LP (long play), com o quarteto de Vila Nova, e foi pai do pastor Valdiberto Moreira. E ainda, Artur de Souza, fundador da Igreja de Cristo em Luziânia, que trabalhou, também, em Silvânia e Vianópolis – GO, foi o pai do Dr. Geser de Souza Silva e da Pra Romilda de Souza.

A segunda geração de líderes
Na década seguinte, também não muito pródiga, temos alguns nomes que se fortalecem e se fixam nas Igrejas de Cristo até aos dias de hoje; entre eles, Herculano Ferreira Quirino, Ozório Rodrigues Gonçalves, Waldir Pires Garcia, Iran Bernardes da Costa, Gerson Vicente e Eudâmidas. Herculano tem o mérito de construir e pastorear a Igreja do Setor Bueno, na década de 60. Casou-se com a aluna do ICG, Ester Teodora, e hoje é coronel reformado da Polícia Militar de Goiás; Vale dizer que era um dos 3 meninos, abrigados no início do Pró-Vida, juntamente com Ozório e Walter.

Iran, oriundo de Anápolis, e filho na fé de Geraldo Holmquist, estudou no STEB, em Belo Horizonte – MG. Formado em Direito, concluiu o seu mestrado pelo Emanuel School of Religion (das Igrejas de Cristo nos EUA); foi diretor da FTCB, pastor em Anápolis e Brasília e, atualmente, dirige o Ministério Grão de Mostarda, no modelo de igreja em células.

Enquanto isso, Gerson, morando no Setor Bueno, se firma como um dos líderes da Igreja da Fama, até aos dias de hoje. Além de pastor, é professor universitário, político e, acima de tudo, servo. E Ozório – escritor dessas notas –, vocês conhecem. Esta segunda geração trabalha sob a coordenação de missionários norte-americanos, fazendo a transição para os novos líderes que surgiriam nas décadas de 70 e 80.

A terceira geração
Em pleno regime militar, no Brasil de 64 a 84, as Igrejas Batistas experimentam um avivamento, por volta de 1976, que iria influenciar, num movimento de renovação espiritual, e dividir igrejas e pregadores de todas denominações. Nesse período do ICG, agora chamado ETIC, dirigido pelos pastores Aurelino Mendes e Francisco Haubner, recebe alunos como Geraldo Júlio, Ulisses Borges e Moisés Santana. Outros líderes se firmam, como Justino Moacir Rosa, Guilherme Santana, Edson Pereira de Gouvêia e Geraldo Borges.

Essa geração assume a liderança que era dos missionários norte-americanos, e cria um novo tempo, passando a ser um divisor de águas. Enquanto todas denominações se dividiram, por causa do avivamento espiritual, dando as Igrejas Batista tradicional e renovada, Presbiteriana tradicional e renovada, Metodista tradicional e renovada, etc., as Igrejas de Cristo não se dividiram, devido ao seu regime congregacional autônomo, e passaram a usufruir um crescimento renovado. Experimentaram, assim, uma nova fase de crescimento, que poderia ser chamada de “antes e depois de 70”.

Ulisses de Oliveira inicia seu ministério na Igreja do Setor Universitário, sendo chamado, imediatamente, para Pires do Rio, onde se projeta para todo estado de Goiás e outros estados do Brasil. Inaugura duas emissoras de rádio na cidade, cria o Seminário Bíblico de Pires do Rio, Seminário este responsável por quase toda safra de obreiros da quarta geração. Inaugura em nosso meio, independente da ideologia do Movimento da Restauração, o sistema de ministérios.

Esse sistema, hoje instalado em muitas Igrejas de Cristo, impondo uma “visão avivamentalista” de crescimento, fez surgir as primeiras igrejas a ultrapassarem a casa dos 150 membros, chegando até 1.200 membros, como Pires do Rio, Itapuranga, São Miguel do Araguaia e outras. Apenas o seu “ministério” Nova Terra foi responsável pela abertura de mais de 100 igrejas.

Edson de Gouvêia, outro nome surgido na década de 70, jovem recém-convertido em uma Igreja pentecostal, relojoeiro e porteiro de hotel, por profissão, tem sua primeira experiência com a liderança de Igreja no Setor Universitário, com a saída do Pr. Ulysses para Pires do Rio; tem uma rápida passagem pela segunda Igreja de Cristo do Brasil, sendo convidado de imediato para a Igreja de Cristo em Taguatinga, onde exerceu 19 anos de pastoreio.

Bacharelado em Teologia pela Faculdade Batista de Brasília, e pós-graduado pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil (FTCB), Edson Gouvêia é professor da mesma há mais de 25 anos. Em meados dos anos 90 (1o/01/95), aceitou o convite para pastorear a Igreja de Brasília, onde se encontra até o momento. Foi presidente do Concílio por vários mandatos; da ASSIC-DF, também por vários mandatos; presidente do Pró-Vida, da MCB; além de vice-presidente por várias gestões da FTCB.

Geraldo Borges nasceu para Cristo na Primeira Igreja do Gama; foi pastor da Igreja do Pedregal, Gama, Vila Nova e Veredão; e, atualmente, é o diretor de Missões Nacionais e Internacionais das Igrejas de Cristo, tendo feito várias viagens pró-missões em três continentes: América do Sul, África e Europa. Tem-se dedicado ao seu projeto de ganhar 1000 plantadores de Igrejas, para o que foi idealizado do CTM, o Centro de Treinamento Missionário “Lloyd David Sanders”.

Dois outros nomes dessa década: Pastor Justino e Pastor Guilherme, ambos deixaram uma fileira de discípulos, que perpetuam o trabalho desta geração de líderes. Numericamente, não são muitos, mas foram responsáveis pelo “pipocar” de Igrejas de Cristo que passa a acontecer no Brasil no final do Século XX e início do XXI.

Podemos dividir nossa história antes de depois desta década, hoje, podemos contemplar pastores, filhos da casa que vestem a camisa do Movimento de Restauração, do nível de Bené Silva, Joaquim Pereira, Vicente Mesquita, Carlos Lima, Agostinho, Paulo Hernani, Newton, Flávio Fonseca, Marlon Brito, Victor Hugo, Jaime Caixeta, Raimundo Aires, André de Paula, David Levistone e outros, graças à terceira geração.

A unidade do Movimento da Restauração
Cabe aqui uma palavra sobre a unidade do Movimento. Não somos uma “denominação”, mas um “movimento” em franco crescimento. O que nos mantém unidos? Vários fatores: 1º, porque a Igreja não é do homem e, sim, de Cristo (Mt 16:18), o Seu amor nos une; 2º, porque desenvolvemos uma série de instituições de apoio, em torno das quais gravitamos.

Entre estas instituições, estão as reuniões de acampamento, usadas pelos missionários, nas décadas de 60 e 70; eram os grandes eventos que congregavam e uniam os primeiros líderes restauracionistas. Também as instituições do ensino teológico, como o Instituto Cristão de Goiânia, nas décadas de 50-70, a ETIC; nos anos de 70-80, o Seminário Teológico de Pires do Rio, e a própria FTCB. Bem como o Congresso de jovens, iniciado em novembro de 1966, que atualmente reúne-se por ocasião do carnaval, os já famosos COMICs, que hoje é direcionado pela UMIC – União da Mocidade das Igrejas de Cristo no Brasil.

Foi também fundamental a criação do Concílio Ministerial das Igrejas de Cristo no Brasil, na década de 70 e, posteriormente, a Convenção Nacional. Assim como o jornal: “O Mensageiro das Igrejas de Cristo”, iniciado em fevereiro de 1974. E os vários ministérios existentes em nosso meio, que não vieram para dividir o grupo, mas para dividir a tarefa de ocupar todo o Brasil. Ainda, temos as reuniões, chamadas de Encontros de Atualização Teológica, promovidas pelo Concílio Ministerial.

Nunca se pode deixar de mencionar o esforço missionário promovido, primeiramente, pela Igreja Norte de Goiânia, e encampado pela Missão Cristã do Brasil, sob a supervisão do Pastor Geraldo Borges. Isso, sem falar dos Congressos de Mulheres, as Conferências Missionárias, os acampamentos, as campanhas evangelísticas, entre tantas estratégias.