O Partir do Pão

Os que aceitaram a sua mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Atos 2.41-42, NVI).

1. O PONTO CENTRAL DO CULTO

Desde o início de sua existência, a Igreja, ao cultuar o Senhor Jesus Cristo, valorizou todos os meios pelos quais ela pudesse realizar a presença do Senhor vivo.  O momento mais querido dentro da vida e comunhão dela era aquele momento quando foi garantida a presença do Salvador vivo.  Tal momento a Igreja primitiva realizava na Festa do Pão e do Vinho.  De todos os lados, os estudiosos mais respeitados reconhecem esta verdade.

A INTERNATIONAL STANDARD BIBLE ENCYCLOPEDIA (III, 166), padrão de evangélicos conservadores, diz que: "A Ceia do Senhor era o ponto central na vida e culto da Igreja primitiva."

O conceituado estudioso mais liberal, Oscar Cullman (EARLY CHRISTIAN WORSHIP, 29) afirma que: "A Ceia do Senhor é, portanto, a base e o alvo de cada reunião."

 2. A ORIGEM DA FESTA DE MEMÓRIA

 “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e deu aos seus discípulos, dizendo: ‘Tomem e comam; isto é o meu corpo’. Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: ‘Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados’” (Mateus 26.26-28 NVI).

A Festa do Pão e do Vinho teve sua origem no cenáculo em Jerusalém onde Jesus reuniu-se com seus discípulos para comer a Páscoa.

“No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, quando se costumava sacrificar o cordeiro pascal, os discípulos de Jesus lhe perguntaram: ‘Aonde queres que vamos e te preparemos a refeição da Páscoa?’ Então ele enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: ‘Entrem na cidade, e um homem carregando um pote de água virá ao encontro de vocês. Sigam-no e digam ao dono da casa em que ele entrar: ‘O Mestre pergunta: Onde é o meu salão de hóspedes, no qual poderei comer a Páscoa com meus discípulos?’ Ele lhes mostrará uma ampla sala no andar superior, mobiliada e pronta. Façam ali os preparativos para nós’. Os discípulos se retiraram, entraram na cidade e encontraram tudo como Jesus lhes havia dito. E prepararam a Páscoa. Ao anoitecer, Jesus chegou com os Doze” (Marcos 14.12-17 NVI).

3. A RELAÇÃO ENTRE "O PARTIR DO PÃO" E A PÁSCOA

A Festa do Pão e do Vinho foi, portanto, desde o início, percebido em relação à Festa da Páscoa.  Veja a exortação de Paulo: “Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1 Coríntios 5.7 NVI). “Mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito”. Acrescenta Pedro (1 Pedro 1.19 NVI).

A Israel fora ordenado comer do cordeiro e dos pães asmos (veja Êxodo 12.1-28; Números 9.1-14) para comemorar sua libertação da escravidão no Egito.  Do mesmo modo, foi ordenado à Igreja de Cristo compartilhar na comunhão em que o pão e o vinho comemoram sua libertação da escravidão do pecado e da morte.

4. O SIGNIFICADO DA FESTA

Reunidos à mesa com Jesus, os discípulos ainda não perceberam o significado que ele estava dando àquela Festa.  Eles comeram do pão e beberam do cálice, sem saber que aquilo era o início de uma prática que iria embelezar a Igreja por todas as gerações.  Como Paulo escreveu poucas décadas depois: “‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isso, sempre que o beberem, em memória de mim’” (1 Coríntios 11.23-25 NVI).

5. A PRESENÇA DE CRISTO

Foi somente depois de seu encontro com o Cristo ressurreto e vivo que os discípulos perceberam que "o partir do pão" seria a maneira escolhida não apenas para lembrar de sua morte, por meio do pão e do vinho, mas também para celebrar sua ressurreição, por meio da presença dele.  Os dois que encontraram com Cristo no caminho de Emaús testemunharam que: “Quando estava à mesa com eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles. Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como Jesus fora reconhecido por eles quando partia o pão” (Lucas 24.30-31, 35 NVI).

A assembléia solene no cenáculo, portanto, aonde Jesus usara os elementos comuns de uma ceia para proclamar sua morte, transformou-se em uma Festa do Pão e do Vinho na qual seus discípulos podiam celebrar sua presença enquanto lembraram de sua morte.  Conseqüentemente, à memória de Jesus foi acrescentada uma refeição de confraternização que continuamente renovava a comunhão deles com ele.

Não devemos pensar que participamos do pão e do vinho apenas para lembrar de um Jesus histórico.  Se não reconhecermos a presença do Cristo vivo, a servir-nos na mesa dele, e que estamos presentes a convite dele, estamos lá sozinhos, como hóspedes de um anfitrião ausente.

6. O DESEJO DE CRISTO

Na hora da primeira Ceia do Senhor, ele expressou intensamente o desejo de seu coração:

“Quando chegou a hora, Jesus e os seus apóstolos reclinaram-se à mesa. E lhes disse: ‘Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer’” (Lucas 22.14-15 NVI).

Portanto, o que nós devemos desejar, e pôr em prática, em contrapartida ao desejo de Cristo de cear conosco?

a. Gratidão

Jesus instituiu esta Festa, "tendo dado graças" (Lucas 22.17; 1 Coríntios 11.24).  Nós devemos continuar a dar graças por ele e por tão grande salvação.

b. Confissão

Ao participarmos, confessamos que somos pecadores, e que precisamos do sacrifício do corpo e do sangue apresentados no pão e no vinho para sermos perdoados.

c. Perdão

Sentimos a necessidade de perdão e na mesma hora aceitamos o mesmo oferecido pela graça e misericórdia de Deus no Cristo que padeceu.

d. Compromisso

Ao lembrarmos do sacrifício de Cristo por nós, sentimos a chamada dele a oferecer nossas vidas por ele em serviço fiel até a morte.

"EM MEMÓRIA DE MIM"

“… ‘Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim’. ‘… Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isso, sempre que o beberem, em memória de mim’” (1 Coríntios 11.24-25 NVI)

Certamente, há muitas maneiras de lembrar de Jesus, mas a verdade é que há um único meio em que ele pediu para ser lembrado.  Ao lembrá-lo, então, por que não fazê-lo da maneira que ele escolheu?  Falhar nisso é desobediência, e também priva-nos de uma bênção especial.  Priva-nos de uma refeição de confraternização na qual ele promete estar presente tanto como Anfitrião quanto como Alimento.  É ele que põe a mesa com pão e vinho, porém na mesma hora ele está graciosamente presente.  Ele está presente, não somente para que nos possamos lembrar dele, mas também para que possamos comer e beber juntos com ele.

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Apocalipse 3.20 NVI).

7. "ANUNCIAM A MORTE DO SENHOR"

“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, anunciam a morte do Senhor …” (1 Coríntios 11.26 NVI).

Mais que uma ocasião para memória, a Festa do Pão e do Vinho também é um meio pelo qual o povo de Cristo, como um corpo e como muitos indivíduos, faz continuamente uma proclamação.  O que se proclama é a convicção inabalável de que o milagre dominante do amor e da graça de Deus se fez por nós em uma cruz.  Se não acreditarmos neste Acontecimento vicário (em que Cristo morreu em nosso lugar) não há motivo de nos reunirmos para compartilharmos a celebração desta Festa.  Além do mais, sem essa convicção não há motivo para comunhão, pois a única razão da existência desta comunidade é a realidade do Acontecimento salientado pela presença do pão e do vinho.  Somente porque cremos que Jesus morreu por nós, é que sentimos obrigados a comprometer-nos neste ato de memória.  E este compromisso torna-se nossa proclamação, pois pelo ato de participarmos, como Igreja, na Festa do Pão e do Vinho, anunciamos que vive o mesmo Cristo que morreu por nós.

8. "ATÉ QUE ELE VENHA"

“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, anunciam a morte do Senhor até que ele venha” (1 Coríntios 11.26 NVI).

Tendo recebido suas instruções "do Senhor" (1 Coríntios 11.23), Paulo proclama que a Festa do Pão e do Vinho é para ser observada até que Cristo venha.  Conseqüentemente, temos que participar, levando em conta a certeza de sua volta (veja Mateus 24.30; Marcos 13.26; João 14.1-3; Atos 1.9-11; Apocalipse 19.6-9), quando seremos “convidados para o banquete do casamento do Cordeiro” (Apocalipse 19.9 NVI).  É nesta mesma esperança que cumprimos no presente  o compromisso divino, aguardando  a  consumação  culminante  de  todas as coisas  quando:

“Guerrearão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, pois é Senhor dos senhores e Rei dos reis; e vencerão com ele os seus chamados, escolhidos e fiéis” (Apocalipse 17.14 NVI).

9. A COMUNHÃO NO SANGUE E NO CORPO DE CRISTO

“Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é uma participação no sangue de Cristo, e que o pão que partimos é uma participação no corpo de Cristo? Como há somente um único pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos de um único pão” (1 Coríntios 10.16-17 NVI).

Ao ser lembrado e proclamado dentro da vida da Igreja, o Cristo vivo está presente. “Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mateus 18.20 NVI). E ele se fez "reconhecido por eles quando partir do pão" (Lucas 24.35).

Ao instituir a Ceia do Senhor, Jesus escolhe cuidadosamente suas palavras para salientar a realidade de sua presença, e também a possibilidade--sim, a realidade--de nossa comunhão com ele na mesma Ceia. 

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e deu aos seus discípulos, dizendo: ‘Tomem e comam; isto é o meu corpo’. Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: ‘Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados’” (Mateus 26.26-28 NVI).

É evidente a necessidade de recebermos dentro de nós a vida e a presença da Pessoa com quem compartilhamos essa Refeição Sagrada. “Jesus lhes disse: "Eu lhes digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa"” (João 6.53-57 NVI).

Assim como a comida e a bebida sustêm a vida de nossos corpos físicos, também a presença de Jesus no pão e no vinho da Ceia sustém a vida espiritual de seu corpo, a Igreja.

“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Coríntios 12.27 NVI).

 10. O PÃO E O VINHO SÃO MAIS QUE MERAMENTE SÍMBOLOS

Jesus não utiliza a linguagem do simbolismo.  O pão e o vinho desta Festa, ele diz, são mesmo o corpo dele e o sangue dele.  Não se refere a símbolos.  O significado disto parece claro: Jesus quer que seus discípulos saibam que ele está presente, não apenas simbolicamente, mas mesmo na realidade.  Portanto, o pão e o vinho não estão na Mesa do Senhor simplesmente para representar o corpo e o sangue dele.  Quando recebemos o pão e o vinho, fazemos deles parte de nossa vida física.  Da mesma forma, no mesmo ato, recebemos espiritualmente a presença e a vida de nosso Senhor com quem compartilhamos a comunhão da Refeição Sagrada.  Para não cair na superstição de transubstanciação, porém, seja esclarecido que a presença de Jesus é espiritual, não física.

“O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida” (João 6.63 NVI).

11. A IGREJA PRIMITIVA NADA SABIA DE TRANSUBSTANCIAÇÃO

A Igreja Católica Romana hoje ensina transubstanciação, mas chegou a sua atual posição doutrinária aos poucos.  Agostinho, no século IV, nada sabia dessa teoria.  A palavra transubstanciação foi pela primeira vez usada por Hildeberto de Tours (c. 1134 d.C.) em um sermão.  Este dogma da Ceia foi definitivamente decretado pelo papa Inocêncio III, no Concílio do Latrão (1215 d.C.).  O dogma é que o pão e o vinho, ao serem abençoados pelo clérigo, tornam-se, mediante milagre divino, literalmente no corpo e no sangue do Senhor.  Assim, a aparência dos elementos não se modifica, mas sim, a essência deles.  A esta interpretação literal das palavras de Jesus contrapõem-se as seguintes objeções:

a. Dois Corpos

Se, quando Jesus disse: "Isto é o meu corpo", ele queria dizer que o pão se transformasse literalmente em seu corpo, então naquele momento ele estava com dois corpos, e um corpo estava a distribuir pedaços do outro corpo aos discípulos!  A mesma incoerência pode ser notada quanto ao sangue dele no cálice.

b. Sofrimento Contínuo

Esta interpretação implica no sofrimento sem fim de Cristo, pois, se seu corpo é quebrado e seu sangue é derramado, no sentido literal, toda vez que um sacerdote realiza a missa, ele tem que sofrer continuamente.  Pelo contrário, a Escritura diz: “Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas” (Hebreus 10.10 NVI).

c. Corpo Estragado

Esta doutrina implica na possibilidade do corpo literal de Cristo ser consumido por roedores ou insetos, ficar mofado, ser espalhado inconvenientemente, ou outras desgraças.

(Fonte de ponto 12:  Loraine Boettner, ROMAN CATHOLICISM, obra citada por Gareth Reese, NEW TESTAMENT HISTORY, 766-767.)

12. QUEM É DIGNO?

“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se cada um a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram” (1 Coríntios 11.27-30 NVI).

Tomar a Ceia do Senhor indignamente não tem nada a ver com o nível da minha própria moralidade. A minha "dignidade" não é a questão. Os verbos "coma" e "beba" (1 Coríntios 11.28) estão no modo imperativo! Constitui-se uma obrigação bíblica para todos os cristãos. “Examine-se cada um a si mesmo” (1 Coríntios 11.28)  significa que um cristão não tem base, porém, para uma atitude individualista quanto a Ceia do Senhor. Examinar a mim mesmo significa tanto examinar o meu relacionamento com meus irmãos em Cristo quanto examinar a minha própria consciência moral perante o Senhor. "Dignamente" refere-se à maneira de tomar a Ceia e não à pessoa de quem toma.

13. "DISCERNINDO O CORPO DO SENHOR"

É somente através da presença do Cristo vivo que a Igreja constitui-se o corpo dele.  Somos a Igreja, isto é, o corpo de Cristo, apenas porque possuímos e manifestamos a vida dele.  E é no compartilhar do pão e do vinho com ele, e uns com os outros, que nos percebemos ser mesmo o seu Corpo.  Portanto, comemos e bebemos "discernindo o corpo" (1 Coríntios 11.29), do qual a presença dele faz-nos membros, isto é, membros juntos com ele, e uns com os outros.  Reconhecemos e expressamos assim, de maneira mais profunda e exata, a realidade de pertencermos a ele, e uns aos outros.

Comer e beber de outra maneira, ou seja, sem discernir que pertencemos a Cristo, e uns aos outros, é comer e beber indignamente; é comer e beber “sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação” (1 Coríntios 11.29 NVI). Paulo diz que “Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram” (1 Coríntios 11.30 NVI) É a subnutrição espiritual! A Igreja, como o corpo de Cristo, não tem condições de ser forte e saudável, se os membros individualmente não estão conscientes de sua unidade coletiva: "Somos um no Espírito, somos um no Senhor".

14. A FREQÜÊNCIA DA CEIA DO SENHOR NA IGREJA PRIMITIVA

“Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração” (Atos 2.46 NVI).

“No primeiro dia da semana reunimo-nos para partir o pão, e Paulo falou ao povo. Pretendendo partir no dia seguinte, continuou falando até à meia-noite” (Atos 20.7 NVI).

"Durante os primeiros dois séculos, a prática de comunhão semanal foi universal, e a mesma continuou na Igreja Ortodoxa Grega até o século VII" (Robert Milligan, SCHEME OF REDEMPTION, 440).

Há forte evidência de que a Igreja primitiva reunia-se no primeiro dia da semana, especificamente para celebrar a Ceia do Senhor.

a. A Igreja em Troas (Trôade)
A passagem acima citada de Atos 20.7 afirma que o motivo principal da reunião foi o de "partir o pão".

b. A Igreja em Corinto
“Quando vocês se reúnem, não é para comer a ceia do Senhor, porque cada um come sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga” (1 Coríntios 11.20-21 NVI).

Paulo aqui chama atenção não à prática de reunir-se para tomar a ceia, mas ao procedimento indigno dos coríntios ao fazê-lo.

“No primeiro dia da semana, cada um de vocês separe uma quantia, de acordo com a sua renda, reservando-a para que não seja preciso fazer coletas quando eu chegar” (1 Coríntios 16.2 NVI).

Se recolher a oferta não se tornou demasiadamente comum por ser feito cada primeiro dia da semana, o que se pode dizer da Ceia do Senhor?

c. O Testemunho dos Pais da Igreja Primitiva
Conforme o DIDAQUÊ, XIV (c. 100 d.C.):  "Reunidos no dia do Senhor, parti o pão e dai graças, depois de primeiro terdes confessado vossos pecados, a fim de que vosso sacrifício seja puro.  Quem tiver divergência com seu companheiro não se deve juntar a vós antes  de  se  reconciliar,  para  que  não  seja  profanado  vosso sacrifício, conforme disse o Senhor..." (Cirilo F. Gomes, ANTOLOGIA DOS SANTOS PADRES, 32).

DA I APOLOGIA, 106, de Justino Mártir (c. 150 d.C.) diz: "No dia que se chama do sol celebra-se uma reunião dos que moram nas cidades ou nos campos e ali se lêem, quanto o tempo permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas.  Assim que o leitor termina, o presidente faz uma exortação e um convite para imitarmos tais belos exemplos.  Erguemo-nos todos, então, e elevamos em conjunto nossas preces, após as quais se oferecem pão, vinho e água, como já dissemos.  O presidente, também, na medida de sua capacidade, faz elevar a Deus suas preces e ações de graças, respondendo todo o povo 'amém'.  Segue-se a distribuição e participação, que se faz a cada um, dos alimentos consagrados pela ação de graças, e seu envio aos ausentes, por meio dos diáconos" (Cirilo F. Gomes, ANTOLOGIA DOS SANTOS PADRES, 66).

15. A FREQÜÊNCIA DA CEIA DO SENHOR: COMENTÁRIO

Quando nos reunimos como Igreja, nosso alvo é o de lembrar-se de Jesus Cristo e celebrar sua presença conosco.  Devemos, então, lembrá-lo como ele pediu para ser lembrado e como ele prometeu fazer-se conhecido, ou seja, "no partir do pão".  Argumentar que a freqüência profana a Ceia, tornando-a excessivamente comum, é improcedente.  Ninguém usa tal argumento para reduzir a freqüência da leitura bíblica ou das orações; muito pelo contrário.  Os primeiros cristãos em Jerusalém "perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (Atos 2.42).  Um marido não reduz suas expressões de amor por sua mulher a uma ou duas vezes por ano, com medo de chateá-la!

Se nós verdadeiramente amamos e desejamos nosso Senhor Jesus Cristo, a lembrança dele repetida na Festa do Pão e do Vinho não vai fazê-la perder seu significado.  E não é uma questão de constrangimento, ou seja, participar da Ceia porque sentimos a necessidade, ou deixar de participar porque não a sentimos.     Não temos necessidade de olhar a foto de uma pessoa querida para poder lembrá-la; desejamos olhar a foto enquanto lembramo-nos da pessoa.

16. LEMBRANÇA!  AÇÃO DE GRAÇAS!   IDENTIFICAÇÃO!   CONFISSÃO! COMPROMISSO! PROCLAMAÇÃO!   COMUNHÃO!   ESPERANÇA!

São juntos os motivos para sermos fiéis à celebração da Festa do Pão e do Vinho.  O motivo não é o de imitar os apóstolos.  Não o fazemos simplesmente porque eles o fizeram.  Temos, sim, que celebrar a Ceia do Senhor pelo mesmo motivo que eles a celebraram.  Celebrar esta Festa é estar envolvido com o Cristo vivo em todas as áreas do nosso ser.  Fisicamente, comemos o pão e bebemos o cálice.  Mentalmente, lembramo-nos da  Pessoa e do  Acontecimento  de nossa salvação.  Espiritualmente, comungamos com Jesus que está presente tanto como Anfitrião quanto como Alimento.  Ele nos envolve em todas as áreas de nossas vidas, assim integrando tudo nele.

17. COMUNHÃO COM CRISTO

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo (carne), vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2.20 NVI).

“Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” (Romanos 6.11 NVI).

“Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, descendente de Davi, conforme o meu evangelho" (2 Timóteo 2.8 NVI).

Como já se sabe, a Ceia do Senhor não é um memorial. Um memorial está estabelecido para alguém que viveu, morreu, e agora esta sendo lembrado. Não é o caso de Jesus! Ele vive! Ressuscitou! E mais: ele morreu nossa morte, tomou nossos pecados sobre si, e nós venceremos o pecado e a morte porque ele ressuscitou. A Ceia do Senhor é, portanto, uma Festa de Vitória!

Gostaria de agradecer ao professor Robert G. Martin do Johnso Bible College, Knoxville, Tennessee, USA, pela base do material apresentado neste esboço, o que foi generosamente cedido para ser usado em língua Portuguesa. Merece agradecimento também o professor Timothy P. Thomas, Montoursville, Pennsylvania, pela ajuda de inestimável valor na pesquisa das fontes.

Thomas W Fife E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

REALIZAÇÃO:
River of Life Ministries Ministério Rio de Vida
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Jefferson “JEFF” Davis Fife