Exclusivismo e inclusivismo nas Igrejas de Cristo

POR JONNY AGOSTINHO DE SOUZA




O Movimento de Restauração Stone-Campbell chegou no Brasil através de duas Igrejas: Igrejas de Cristo independentes, muito inclusivistas e as Igrejas de Cristo A Capella, fortemente exclusivistas.  

Neste artigo proponho mostrar a tensão e a relação entre o exclusivismo e inclusivismo no Movimento de Restauração Stone-Campbell, sob a ótica bíblica e histórica, objetivando a defesa da unidade na diversidade.

PARTE  I – O NOVO TESTAMENTO

I.  Exclusivismo cristão.

O cristianismo por si só já é exclusivista, despovoamos os céus da Roma antiga de todas as divindades pagãs e erigimos sobre suas ruínas o Deus único e o único mediador, Jesus Cristo. Olhando para fora de suas fronteiras, o cristianismo deve ser exclusivista. A controvérsia surge dentro de suas fileiras, porventura haverá margem para tolerância entre as teologias cristãs?

Quatro fortes argumentos favorecem algum tipo de exclusivismo. Em primeiro lugar, devemos observar as exortações bíblicas para preservação da sã doutrina (I Tm 1: 10; II Tm 4:3; Tt 2: 1). Ora, se uma doutrina é sadia, isto implica necessariamente que as doutrinas alternativas não o são.

Em segundo, observemos as repreensões contra os falsos mestres e profetas (II Tm 4:3-5; II Pe 2:1). O Novo Testamento mostra uma grande resistência ao erro teológico, dentre eles, a salvação pelas obras da Lei, a negação da ressurreição dos mortos, ensinos estranhos sobre a pessoa de Cristo e o barateamento da graça de Deus.

Em terceiro, devemos observar a motivação que fez surgir as cartas do Novo Testamento. Uma parte considerável dele foi escrito em reação ao erro que se infiltrou nas igrejas da época. Os escritores sacros não aceitaram os novos ensinos como uma alternativa válida que enriquecem a vida da Igreja.

Em quarto, Satanás é um mentiroso previsível, ou seja, podemos não só prever que ele vai tentar seduzir a Igreja, mas a forma provável que a sedução vai tomar. Nosso inimigo continua levantando a questão primordial: "É assim que Deus disse?" É a rebelião à Palavra de Deus e à sã doutrina que ele incita entre os filhos de Deus.

A partir disto, as igrejas de Cristo A Capella conclui que em questões de fé não existem não-essenciais. Todas as crenças são essenciais.

II. Inclusivismo cristão.

As ordens de Jesus são absolutas para todas as pessoas de todas as épocas. Um dos problemas surge quando falhamos em separar estas ordens diretas das práticas locais, e assim, confundimos práticas temporárias com mandamentos eternos. O outro problema surge quando confundimos o fato bíblico da interpretação que damos a ela; por exemplo, é fato bíblico o milênio (Ap 20), mas o seu significado é questão de opinião; O que é perfeito (1 Co 13) é fato, as interpretações são várias. Por isso é necessário haver um certo grau de inclusivismo cristão neste processo de amadurecimento.

Há dois fortes argumentos que favorecem esta idéia. O primeiro é que havia diversidade de práticas nas igrejas do Novo Testamento. Comprovando este argumento, podemos observar o exemplo da igreja em Jerusalém. De início houve três mil conversões, e logo o número subiu para outros milhares. Obviamente não havia um só local de culto, mas vários; eram as igrejas-casa (At 2:46; 5:42; 8:3), que tinham seus supervisores, contudo não se fala de igrejas em Jerusalém, mas da Igreja em Jerusalém com muitos locais de culto, e apenas um corpo de pastores sobre toda a Igreja municipal, e não grupos de pastores das congregações (At 2-15). Paulo parece concordar com esta prática ao escrever às igrejas nas cidades: Igreja em Éfeso, em Filipos, etc. O sistema de governo parece não ser o congregacionalismo, mas o municipalismo. Por outro lado, Paulo e Barnabé retornaram ao campo missionário para estabelecer bispos em cada congregação (At 14:23).

Em segundo, havia diferenças não só nas práticas, mas também nas doutrinas. Foi por causa dos abusos doutrinários que os apóstolos escreveram admoestações de correção. Apesar dos abusos podemos observar certa diversidade doutrinária. A igreja na Judéia preservava muitas características mosaicas (alimentação, circuncisão, votos, etc.), ao contrário da Igreja gentílica. Esta tensão quase provocou a primeira grande divisão no cristianismo. Foi preciso um concílio dirigido pelos apóstolos para dirimir tais diferenças doutrinárias. A decisão conciliar promoveu a unidade na diversidade (At 15). Mais tarde, extremistas legalizantes promoveram discórdia na Igreja gentílica e foram severamente corrigidos por Paulo, contudo, a correção não era para voltar a um único padrão de crença, mas para deixar aqueles padrões errados. O legalismo judaizante deveria ser corrigido, contudo, os cristãos judeus poderiam permanecer em sua forma própria de culto.

As igrejas de Cristo / cristãs adotaram corretamente o inclusivismo, cujo lema é que nos assuntos essenciais deve haver unidade, em assuntos secundários deve haver tolerância, e acima de tudo deve haver amor.

PARTE  II  -  O MOVIMENTO DE RESTAURAÇÃO STONE-CAMPBELL

I. O Exclusivismo cristão

O discurso restauracionista por si só é exclusivista. O jovem Alexander Campbell De 1823 a 1830 publicou a revista “O Cristão batista”, através do qual publicou suas idéias e organizou o Movimento. B.J. Humble descreve o exclusivismo do jovem Campbell :

    “Em 1825, Campbell escreveu uma série de artigos no “Cristão batista” intitulados Uma  restauração da ordem antiga das coisas”.  O objetivo principal destes artigos era confrontar as práticas do protestantismo de acordo com o padrão do Novo Testamento (…) O que é necessário, insistia Campbell, é “Uma restauração da antiga ordem das coisas”. Isto se alcançaria ajustando a Igreja “de acordo com o padrão do Novo Testamento”.  Se isto puder ser feito, o resultado seria a época de ouro do cristianismo – O milenio.” (1) 

     “O periódico era de forte espírito iconoclasta; e os três “ídolos” do protestantismo, os quais buscava destruir eram:  o clero, os credos e as organizações. O clero era “ um sacerdócio avaro“. Os credos atavam as mentes das pessoas e eram uma interferência entre as pessoas e a Escritura. E as organizações como as associações, sínodos, e sociedades missionárias eram anti-escriturísticas, que roubavam ‘da Igreja sua glória’”.(2) 

Seu pai, Thomas aconselhava-o a moderar o tom de seus artigos, porém Alexandre permanecia inflexível. Em busca deste padrão neo-testamentário, ele defendeu o congregacionalismo, o batismo por imersão e para salvação, a ceia semanal, pluralidade de pastores, etc. Mais tarde, adotou um espírito conciliador.

II. O inclusivismo cristão.

 

O inclusivismo também faz parte de nosso DNA espiritual. Um de nossos lemas é  “Que a unidade cristã seja a nossa estrela polar”. Na origem do Movimento de Restauração, precisamente em 1832 houve a união de duas igrejas, lideradas por Stone e Campbell. Eram unidos nos essenciais, mas havia diferenças secundárias. Isto não impediu a união, havia unidade na diversidade. O grupo de Stone era mais emocional nos cultos, o batismo e Ceia era celebrado apenas pelo pastor e era mais aberto ao papel do Espírito Santo na conversão e na vida do crente. Campbell era mais racional, mais anti clerical e mais restritos quanto ao papel do Espírito.(3)

Em 1830, Alaxandre Campbell mais maduro encerra “O cristão batista” e passa a publicar “O arauto do milênio”. Aceita a unidade na diversidade e, enquanto vivo consegue manter sob controle o grupo exclusivista. Alguns lemas, esquecidos por muitos do movimento, refletem esta idéia:

“Não somos os únicos cristãos, mas unicamente cristãos”.

“No esencial, unidade; No secundário, tolerância; Em tudo, amor”.

Há vários pensamentos dos pioneiros do movimento que também refletem o inclusivismo:

“Que o que se infere ou se deduz das Escrituras nunca deve se tomar como requisito de comunhão ou parte do credo da igreja, ainda que aos que as descubram lhes pareçam muito certas”  - Thomas Campbell.

“Nós temos entre nós toda a sorte de doutrinas pregadas por toda a sorte de homens” – Alexandre Campbell.

“O que se deduz que só é cristão aquele que tenha sido submergido está em tão grave erro como aquele que afirma que ninguém está vivo, senão os que tem uma visão clara e completa…Eu pecaria contra minhas próprias convicções se ensinar que alguém por não haver entendido o significado de um sacramento, ainda que sua alma anele conhecer por completo a vontade de Deus, deva perecer eternamente” – Alexandre Campbell. 

As igrejas de Cristo anti instrumentais adotaram a idéia de que “em asuntos de fé, não há não essenciais”, ou seja, todos os aspectos doutrinários são fundamentais. Sendo, portanto, exclusivistas. As igrejas de Cristo independentes adotaram o lema “união nos asuntos essenciais, tolerancia no secundário, e amor em tudo”. Esta tensão provocou uma posterior divisão no Movimento de Restauração.

PARTE  III  -  RESGATANDO NOSSA HISTÓRIA 

Algumas igrejas de Cristo A Capella estão abandonando o equívoco de nivelar todas as questões de fé ao nível de essencialidade. Esta idéia exclusivista gera o sentimento de que somos a única igreja verdadeira neste mundo, e todos os outros padecerão por causa da falsa doutrina. De tempos em tempos, alguns em nosso meio “descobrem” alguma doutrina bíblica esquecida, rompem e se auto proclamam a única e verdadeira igreja. Este discurso é divisionista. Entretanto, é necessário ser exclusivista quanto às doutrinas essenciais.

Devemos ser unidos em asuntos essenciais. Quando a palavra "essencial" é usada no slogan, a primeira pergunta que devemos fazer é: "Essencial para quê?", e é justo supor que isso significa "Essencial para a salvação e manutenção da vida cristã". Ou seja, aqueles que não aceitam estes fundamentos não são parte da igreja verdadeira, não são nossos irmãos em Cristo. É preciso averiguar também o significado do termo "unidade". É a unidade espiritual de todos os que são salvos e, por causa disso, compartilham a essência da unidade doutrinal. Neste ponto devemos ser exclusivistas. Quais são as crenças essenciais? Quem assim as definiu? Quais criterios devem ser  utilizados nesta qualificação? Barton Stone teve dificuldades em aceitar um mínimo de concenso doutrinário como base para a unidade.  Em 1841 nas palestras sobre a "União dos Cristãos", realizado em Jacksonville, Illinois, Stone escreve:

Alguns se opõem ao estabelecimento de um credo como um plano de União, através das doutrinas ESSENCIAIS a serem incorporadas, como laço de união. Mas quem
deve determinar quais doutrinas são essenciais? Suponhamos que seja possível que todos os membros da Igreja na terra se reúnam, e todos concordem em três ou quatro
doutrinas como essenciais, e que só estas serão o teste para se ter a união cristã, (...) Será que a posteridade estaria obrigada a crer e receber tal credo? Estas coisas
são impossíveis. O credo de doutrinas essenciais pode unir o Mundo cristão. Porém esta união é apenas parcial, e de curta duração, é uma união de desunião...(4)

Apesar da grande dificuldade devemos tentar produzir uma lista de doutrinas essenciais. Para isto precisamos olhar as Escrituras, e ver nelas as doutrinas centrais, que permeiam toda a Bíblia e que servem de fundamentos para outras doutrinas bíblicas secundárias. Devemos em seguida, olhar para a História, ver como os primeiros cristãos sintetizaram a fé cristã através dos grandes Credos Apostólico, Niceno-constantinopolitano e Atanasiano.

Além dos essenciais que nos caracterizam como cristãos, existem outros essenciais que nos identificam como parte das igrejas de Cristo; Por que sou da igreja de Cristo, e não um batista ou presbiteriano, e assim por diante? Quais as características que são essenciais para  agrupar as igrejas do Movimento Stone-Campbell? Após consulta em alguns sites (principalmente www.igrejadecristoriodevida.blogspot.com) , extraí e adaptei o seguinte:

 Doutrina essencial

·         A Igreja de Cristo é uma igreja livre. Não pertence a qualquer organização eclesiástica. Estamos sujeitos somente a Cristo, o Cabeça da igreja sobre todas as coisas. (Colossenses 1.18).

·         Aceitamos a Bíblia como único credo, única regra de fé e prática (II Timóteo 3.16-17) e cremos que a Palavra de Deus é infalível (Salmos 19.7 e 8).

·         Batizamos em águas para a remissão dos pecados (Atos 2.38, Romanos 6.3-8). Através deste sepultamento, juntamente com Cristo, recebemos o novo nascimento e a presença do Espírito Santo em nossa vida (Atos 2.38, Romanos 5.5).

·         O nosso alvo é agradar a Deus, servi-lo e obedecê-lo como diz o Novo Testamento (Romanos 1.21; 12.2-11 e I Timóteo 2.1-8).

·        Não usamos qualquer nome, senão os divinos (Atos 4.12). Não aceitamos qualquer livro senão a Bíblia (João 12.48). Esforçamo-nos para sempre sermos unicamente cristãos (João 1.12, Atos 11.26, I Pedro 4.16).

·         Procuramos a verdadeira comunhão em Cristo, a qual é baseada na Bíblia, e em unidade, doutrina, Espírito e Fé (II Coríntios 1.10, Efésios 4.4-6, Filipenses 2.1-2).
Pregamos a ressurreição dos mortos, o Juízo e os dois destinos eternos (Atos 17.30-31, I Tessalonicenses 4.14).

·         Cremos que o Cristão deve continuar crescendo espiritualmente, até o fim da vida, porquanto Deus reserva bênçãos aos que são fiéis (Efésios 4.15, Apocalipse 2.10).

·         Mantemos, enfim, a prática da igreja do Novo Testamento, de observar a Ceia do Senhor a cada primeiro dia da semana (Atos 20.7). A Igreja de Cristo é a igreja do Novo Testamento (Mateus 16.18, Romanos 16.16). Convidamos a todos que fazem parte do “Corpo de Cristo”, a unir-se conosco nesta fraternidade Universal, pela verdade e pela sã doutrina (Tito 2.1, II Timóteo 1.13).
 

Queremos ardentemente...

  • Estabelecer a Igreja de Cristo em nossa comunidade, de acordo com o padrão do Novo Testamento, estabelecido pelo próprio Cristo e pelos apóstolos.
  • Exaltar a Jesus Cristo acima de qualquer lealdade sectarista ou partidária.
  • Efetuar a unidade de todos os cristãos, na igreja oriental, que Jesus Cristo edificou, e sobre a qual declarou que nunca seria destruída (Mateus 16.18, João 17).

Para Esse Fim...

  • Aceitamos e mantemos a Bíblia como a única regra de fé e prática para a Igreja de Cristo (II Timóteo 3.16-17).
  • Cremos que Jesus Cristo é o único Credo prescrito na Bíblia para nossa aceitação (Mateus 16.6, II Timóteo 1.12, Atos 4.12, I Coríntios 2.2. e Hebreus 13.8 ).
  • Estamos prontos pra receber conselhos e encorajamos o escrutínio crítico por parte de todos os interessados. Se alguém puder demonstrar que não estamos proclamando todo o conselho de Deus, estamos prontos para corrigir nosso erro.
  • Esforçamo-nos por usar termos bíblicos quando aplicados às idéias bíblicas. As palavras representam idéias, pelo que, a fim de transmitir os pensamentos com a máxima correção, devem ser usadas as mesmas palavras empregadas nas Escrituras (I Pedro 4.11). É por essa razão que a nós nos chamamos de cristãos (I Pedro 4.16) e também aceitamos o nome bíblico para a igreja.
  • Pregamos exclusivamente a doutrina bíblica. A Bíblia é explícita - e clara no que concerne a salvação. Isso pregamos e defendemos ( Judas 3 ). Pelo mesmo motivo nos opomos a quaisquer tentativas para substituir a verdade bíblica pelas inovações humanas, seja na prática, seja na teoria (Mateus 15.19, I Coríntios 4.6 e Gálatas 1.8-9).
  • Oramos incessantemente (I Tessalonicenses 5.17).

Praticamos exclusivamente as ordenanças:

  • Imersão em Cristo, do crente penitente, para a remissão dos pecados (Marcos 16.15-16, Mateus 28.18-20, Atos 2.38; 8.12, Romanos 6.4, Colossenses 2.12, Gálatas 3.27, Atos 22.16 e Tito 3.5).
  • A ceia do Senhor com o encontro semanal com Cristo Jesus (Lucas 22.19, I Coríntios 10.16-17; 11.26; 26.30 e Atos 20.7).
  • O Dia do Senhor, no primeiro dia de cada semana ( João 20.26- separado, Apocalipse 1.10 – proclamado, Atos 20.7, I Coríntios 16.2 – observado).
  • A manutenção da congregação local por meio de ofertas voluntárias (I Coríntios 9.7-14; 16.2, II Coríntios 9.6-10, Gálatas 6.8, Atos 20.35 e Lucas 6.28).
  • Não reconhecemos qualquer classe especial de clérigos, mas praticamos o sacerdócio universal de todos os crentes, fazendo todos responsáveis pela propagação da boa-mensagem e progresso do trabalho da igreja (Mateus 23.8, I Pedro 2.9).
  • Em nossa forma de governo da igreja local somos congregacionais e independentes. Esse procedimento bíblico estabelece que a congregação local deve ser governada pelos anciãos, localmente eleitos, servidos pelos diáconos, com aprovação da congregação (I Timóteo 3.8-13; 3.17, Hebreus 13.7, I Pedro 5.2-3). Outros líderes oficiais evangelistas e os professores (Efésios 4.11).

 A Igreja e a Doutrina

  • Cristo Jesus é a sua cabeça e o seu fundador (Efésios 1.33 e Mateus 16.16-18).
  • Cristo Jesus é seu fundamento, sobre o qual a igreja está edificada (I Coríntios 3.11, Efésios 2.19-20 e Mateus 16.16-18).
  • Teve início no primeiro Pentecostes depois da ressurreição de Cristo (Atos 2.1).
  • O seu início foi em Jerusalém (Atos 2.5).
  • O estabelecimento da igreja foi efetuado por meio de:
  • Pregação (Atos 2.14)
  • Ouvir (Atos 2.37)
  • Fé (Atos 2.37- 41)
  • Arrependimento (Atos 2.38)
  • Confissão (Romanos 10.9-10)
  • Batismo (Atos 2.38)
  • Visto que o padrão bíblico não dá lugar a qualquer sistema hierárquico ou a qualquer controle exterior, nossas congregações locais são independentes e autogovernadas, sob a direção de Cristo.
  • Para alguém tornar-se membro da igreja, precisa ser adicionado pelo Senhor (Atos 2.47).

Isso Requer Que Você...

  • Creia em Cristo – “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado”- (Marcos 16.16 e Atos 16.23-33).
  • Arrependa de seus pecados – “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens, que todos em toda parte se arrependam”- (Atos 17.30, confira Atos 2.38).
  • Confesse tua fé em Cristo – “Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”- (Romanos 10.10, confira Mateus 16.16; 10.32-33 e I Timóteo 6.12).
  • Seja batizado – “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o Dom do Espírito Santo” (Atos 2.38; 8.38 e 22.16).

Espera-se Que Cada Membro

Persevere em:

  • Estudo bíblico e atenção à pregação da Palavra;
  • Comunhão com a congregação e suas atividades;
  • Prática da observação da Ceia do Senhor, em cada dia do Senhor;
  • Oração (Atos 2.42, Hebreus 10.24-25, I João 1.7, Atos 20.7 e I Tessalonicenses 5.17);
  • Progrida para a perfeição no crescimento espiritual (Hebreus 6.1,  Efésios 4.13).
  • Ministre na sua congregação local (Efésios 4.11-13).
  • Seja bom despenseiro do seu tempo (II Coríntios 8.1-12).

 A Necessidade de Tornar-se Cristão 

 

Por quê?

“Porque o filho do homem veio para buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10).
“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”(Romanos 3.23).

 

Quem pode?

“Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”(Romanos 10.13).

Como?
Fé em Cristo. Arrependimento para com Cristo. Batismo em Cristo.

Para receber:

Remissão dos pecados. O Dom do Espírito Santo e a vida eterna em Cristo Jesus.

As Marcas das Igrejas de Cristo

  • A Igreja de Cristo é essencial, intencional e constitucionalmente uma só, constituindo-se de todos, e em todo lugar, que professam sua fé em Cristo e lhe obedecem em todas as coisas de acordo com as Escrituras, e que manifestam essa fé através de seu comportamento e conduta.
  • Embora essa unidade pressuponha e permita a existência de congregações locais, deverá haver a mais perfeita harmonia e unidade de espírito entre todas elas. Somos uma parte distinta da família de Deus, chamada Igreja de Cristo, e queremos manter comunhão com eles desde que esta comunhão não nos imponha retrocesso no processo de restauração.
  • A Bíblia é a única regra de fé e prática para os cristãos, os quais se sujeitam a todos os seus ensinos, mandamentos, preceitos, tais como ensinados no Novo Testamento pelo Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos.
  • As Escrituras do Velho e Novo Testamento são inseparavelmente ligadas, formando uma revelação perfeita e completa da vontade divina para a edificação da Igreja; portanto neste particular, não poderão ser separados. Por outro lado no que se refere direta e propriamente a seu propósito, o Novo Testamento é constituição para o culto, a disciplina e o governo da igreja, como foi o Velho Testamento para o culto, disciplina e governo para o povo de Israel.
  • Nenhuma autoridade humana detém o poder de emendar ou modificar a constituição original da igreja. Onde a Bíblia fala nós falamos; onde a Bíblia não fala ninguém tem o direito de impor suas opiniões. Nada deverá ser exigido como artigo de fé, adoração ou comunhão, que não seja ensinado no Novo Testamento. Reconhecemos, porém, que cada cristão e cada congregação têm liberdade de expressão na adoração, no louvor e no exercício da vida cristã, dentro de sua própria cultura.
  • Interpretações e deduções das Escrituras, embora podendo ser verdadeira, não podem transformar-se em mandamento e ordenanças da igreja.
  • Opiniões divergentes quanto a tais interpretações não poderão constituir-se em obstáculos na comunhão no corpo de Cristo.
  • A confissão de fé em Cristo Jesus, o Filho de Deus, como o único Senhor e Salvador e a conversão mediante o arrependimento são suficientes para alguém ser batizado e tornar membro do corpo de Cristo, restabelecendo, assim, a sua comunhão com Deus.
  • A única forma de batismo que simboliza biblicamente o sepultamento e a ressurreição com Cristo e o novo nascimento é a imersão nas águas (Romanos 6.3-5; Colossenses 2.12).
  • Todos que têm feito sua confissão em Cristo deverão demonstrar a sinceridade da mesma em sua conduta, amando e vivendo fraternalmente como membro do mesmo corpo e co-herdeiros da mesma herança.

·        A divisão entre cristãos é antibíblica e anormal. É uma violação direta ao mandamento do Senhor Jesus (João 17.20-23, Efésios 4.1-6).

·        A negligência à vontade de Deus revelada nas Escrituras e a introdução de inovações humanas tem sido causa de corrupção e divisões na igreja.

  • Os métodos e meios adotados por uma igreja local a fim de obedecer aos mandamentos divinos que não sejam mencionados expressamente nas Escrituras, devem ser vistos como recursos humanos e não como leis para que não sejam motivos de contendas e divisões no corpo de Cristo.

 Declaração de Fé da Igreja de Cristo

Cremos:

·         Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Deuteronômio 6.4, Mateus 28.19 e Marcos 12.29)

·         Na inspiração verbal de toda a Bíblia Sagrada, única regra normativa de fé, infalível para a vida e o caráter cristão (II Tessalonicenses 3.4-17).

·         No nascimento virginal de Jesus Cristo, em sua morte vicária expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e em sua ascensão vitoriosa aos céus (Isaías 7.14, Romanos 8.34 e Atos 1.9).

·         No pecado original que destituiu o homem da glória de Deus e em que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo podem restaurar o seu relacionamento com Deus (Romanos 3.23 e Atos 3.19).

  • Deus é o doador da vida, portanto devemos preservá-la desde a concepção.
  • Deus criou o casamento heterossexual, ou seja, homem e mulher.

·         No perdão dos pecados, na certeza da salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma, recebida gratuitamente de Deus, mediante a fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor (Romanos 3.24-26; 10.13, Hebreus 7.25; 5.9).

·         Na necessidade absoluta de novo nascimento, por meio da fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, o que torna o homem digno do reino dos Céus (João 3.3-8).

·         Na salvação de todo aquele que perseverar até a morte no testemunho de Cristo (Apocalipse 2.15-16).

·         No batismo bíblico, efetuado por imersão de corpo inteiro, uma só vez, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo para a remissão dos pecados (Atos 2.38), tendo ainda que existir evidência de fé e arrependimento, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mateus 28.19, Romanos 6.14 e Atos 8.12).

·         Na necessidade e possibilidade que temos de viver vida santa, mediante a obra expiatória e redentora de Jesus Cristo no calvário, através do poder regenerador, inspirador e santificador do Espírito. Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas do poder de Cristo (Hebreus 9.14, I Pedro 1.15 e 16).

·         Na Santa Ceia, instituída pelo Senhor Jesus Cristo na noite em que foi traído com o pão simbolizando o seu corpo e o vinho o seu sangue, devendo ser realizada todo primeiro dia da semana (Atos 20.7, I Coríntios 11.23-37 e Mateus 26.26-29).

·         Na restauração da igreja atual, nos moldes da igreja primitiva (Atos 3.21, Efésios 4.7-16).

·         No ministério local, plural e teocrático (Efésios 4.11 e 12 e II Timóteo 3.1.-16).

·         Na semelhança do homem com Deus, sendo aquele formado de espírito alma e corpo (Gênesis 1.26, I Tessalonicenses 5.23 e Hebreus 4.12).

·         Na segunda vinda de Cristo visível e corporal (Mateus 24.21-36, Atos 1.1-11 e Lucas 21.25-27).

·         Em que ao homem cabe morrer uma só vez, vindo depois disto o Juízo (Hebreus 9.27).

·         Em que todos os Cristãos comparecerão ante o tribunal de Cristo, para receber a recompensa dos feitos da causa de Deus na terra (II Coríntios 5.10).

·         No Juízo vindouro, que justificará os fiéis e condenará os infiéis (Apocalipse 20.11-15).

·         Na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e tristeza e tormento para os infiéis – a partir do momento da morte (Mateus 25.46).

A outra parte de nosso slogan é que devemos ser tolerantes nas questões secundárias. O que são as questões não essenciais? Por ser não-essencial, tornam-se desnecessárias? Alexander Campbell escreveu estas palavras no Baptist Christian em junho de 1830:

“Se um homem causa divisões e ofensas por querer impor suas convicções particulares, devemos considerá-lo um partidário, e enquanto tal ele deve ser excluído- não por causa de sua diferença de opinião, mas porque faz de sua opinião um ídolo, e exige-lhe honra.”

Assuntos como o dízimo, batismo com o Espírito e a atualidade dos dons espirituais, instrumentos musicais nos cultos são assuntos que não devem provocar a divisão entre as igrejas de Cristo. Embora cada congregação deva ter suas próprias convicções acerca destes e de outros assuntos. Entretanto, devemos incentivar o diálogo fraternal sobre assuntos secundários, e não varrê-los para “debaixo do tapete”.  Em 1832, os grupos de Stone e Campbell estudavam e debatiam durante o dia todo acerca da ceia semanal, batismo por imersão e o papel do Espírito Santo; e apesar de calorosa discussão, à noite, iam dormir como irmãos em Cristo. Devemos juntos buscar TODA a vontade de Deus, seja ela essencial ou secundária, respeitando o direito de cada congregação decidir o que lhe convém.


(1) HUMBLE, B.J. La historia de la restauración. P. 20.

(2) HUMBLE. Idem. P.25

(3) SOUZA, Jonny A. de. Reflexões eclesiológicas. Igreja de Cristo no Timbó.

(4) ROLLMANN, Hans. Fundamentos da Unidade: a pré-história do movimento de restauração. Vol. 39,no. 3

 

Jonny A. Souza é ministro da Igreja de Cristo no Timbó, na Grande Fortaleza - CE.

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