A imprescindível unidade da Igreja

Você já se perguntou por que o movimento de restauração dá tanta ênfase à unidade da igreja?

Talvez porque a obra redentora de Cristo vise à unidade por meio da reconciliação. Por esta razão, recebemos da parte dele o ministério da reconciliação. Este, por sua vez, deve ser discernido sob duas perspectivas ou dimensões, quais sejam: a vertical e a horizontal. Vertical, porque, por intermédio de Cristo, somos reconciliados com Deus. Horizontal, porque, por intermédio de Cristo, somos reconciliados uns com os outros. Ora, se pela perspectiva vertical, o véu da inimizade foi rasgado de alto a baixo, pela perspectiva horizontal, o muro de separação entre judeus e gentios é removido. Ou seja, em Cristo, há apenas uma única comunidade santa. Ef 2-4

Talvez porque os sacramentos neotestamentários sejam sacramentos que apontem para a unidade. No batismo, fomos unidos com Cristo e integrados no corpo. Na ceia, celebramos comunitariamente nossa união com Cristo, comendo do pão e bebendo do cálice. Sem entrar nos conhecidos dilemas teológicos que circundam a temática (refiro-me a transubstanciação, a consubstanciação, a presença espiritual de Cristo, ou ceia entendida apenas como um memorial), fato incontestável é que a Ceia é “no mínimo” uma celebração da unidade. 1Co 11.17-34

Talvez porque, “em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. 1Co 12.13

Talvez porque os dons dados por Cristo à igreja (apóstolos, profetas, evangelistas, mestres e pastores) visem à edificação, ao crescimento e à unidade da igreja (Ef 4.7-16).

Talvez porque as diversidades dos dons dados pelo Espírito visem à edificação do corpo na medida em que há um só Espírito, um só Corpo e uma só Cabeça (Ef 4) (1Co 12).

Talvez porque a missão dada por Cristo de fazer discípulos de todas as nações foi delegada à “Igreja” (Mt 28.28) e não a um indivíduo. Ainda, nesta linha de raciocínio, é bom lembrar as palavras de Jesus na oração sacerdotal, em Jo 17.21: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também seja eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”. Desta forma, podemos concluir que a igreja terá êxito em sua missão – testemunhar Cristo ao Mundo – enquanto ela estiver unida com Cristo e uns com os outros.

Talvez porque nosso processo de santificação ou crescimento espiritual só seja possível se desenvolvido nas relações comunitárias cristãs, carregando os fardos uns dos outros, alegrando-se uns com os outros, chorando uns com os outros, edificando uns aos outros, servindo uns aos outros, etc.

Talvez porque devamos lutar até a exaustão por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. (Ef 4.3).

Talvez porque devamos pensar a mesma coisa, ter o mesmo amor, sermos unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Ou porque não devamos fazer nada por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a nós mesmos. (Fl 2.2-4)

Talvez porque seja bom e agradável. (Sl 133)

Talvez seja porque a palavra “cristã” esvazie de seu significado fora do contexto do corpo.

Talvez porque só seja possível viver a vida cristã em unidade.

Talvez, talvez, talvez, talvez...

Pr Edmilson Gouveia