Histórico do trajeto da vida e trabalho do Missionário Virgil Frank Smith

Artigo autobiográfico escrito pelo próprio Virgil Frank Smith, um dos proto-missionários das Igrejas de Cristo no Brasil, que após dedicar uma vida inteira na evangelização do Brasil pela Assembléia de Deus terminou seus anos de vida na Igreja de Cristo em Brasília-DF (EQS 305/306 Sul) como professor de evangelismo na Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Virgilio faleceu em 20/12/2000 em Brasília -DF, com 98 Anos. Sua esposa Gail Smith freqüenta atualmente a Igreja de Cristo em Brasília.

Eu sou o missionário Virgil Frank Smith, nasci em 1902 no Estado do Texas nos Estados Unidos. Sou Evangélico desde que nasci, meu pai era Pastor e minha mãe nunca perdia uma Escola Dominical e levava seus filhos. Só faltava em caso de enfermidade.

Minha mãe era uma mulher incansável. Ela cuidava dos seis filhos, sendo que cinco eram homens e só uma mulher. Mas minha mãe costurava as roupas para todos nós quando éramos crianças. Fazia pão três vezes ao dia. Cuidava de tudo em casa. Ela era muito sábia e temente a Deus. Uma mulher de oração. E posso até dizer que ela era até cientista, porque sempre sabia quando um Tornado ou Ciclone se aproximava.

Lembro-me bem, eu devia ter quatro ou5 anos de idade quando minha mãe veio correndo e pegou todos os filhos e levou para o porão. Esse porão ficava embaixo da minha casa que era de madeira. Era um buraco feito na terra. Minha mãe nos levou todos para lá.
Entre o buraco e o chão da casa, havia uma fresta por onde se via fora. Era um Tornado que se aproximava. Eu pedi para minha mãe me levantar e eu vi o Tornado chegar. Nossa casa foi arrancada dali e tudo foi destruído. Das louças de minha mão só escapou um peça. Eu vi por aquela frestinha, a casa do vizinho voar para o alto. O vizinho e seus filhos ficaram muito machucados.

Nós éramos pobres. Lembro-me de uma vez que papai e mamãe foram à cidade fazer compras. Eu e meu irmão Earl fomos juntos.
Quando chegamos lá, pedimos a nossos pais deixar-nos andar ali na calçada. Era uma rua de comercio. Nós não tínhamos nem um centavo no bolso. Mas começamos a olhar nas vitrines das lojas. Era época de Natal. Olhamos uma e ficamos encantados. Fomos para a outra seguinte e cada vez mais, nós pensávamos em possuir alguns daqueles brinquedos. E nós falávamos de tudo o que estávamos vendo. De repente Earl disse:

- Virgil vamos embora não vamos gastar todo o nosso dinheiro aqui.

Eu, como todas as crianças, fazia minhas travessuras, que para mim não eram certas e quando eu estava com 11 anos de idade, lá numa roça no Texas, eu me arrependi do mal que eu estava fazendo e ali mesmo pedi perdão á Deus e me transformei, toda a rebeldia desapareceu eu quis me batizar. Em 1913 fui batizado nas águas.

Mas uma coisa interessante que me lembro. Eu e Mellville, meu irmão, fomos estudar numa escola que não ficava muito perto de nossa casa. E por isso fomos trabalhar numa mercearia perto da escola e tínhamos um quarto pra dormir e ficar durante a semana. Mas como o que ganhávamos era pouco, nós cozinhávamos seis ovos de manhã, seis no almoço e seis no jantar e comíamos com pão. Era o que sabíamos cozinhar.

Freqüentamos Escolas Cristãs. Meu pai fez sempre questão que seus filhos estudassem em Escolas Cristãs. Minha primeira escola foi em Pilol Point onde eu nasci. Depois meus pais se mudaram para Oklahoma e lá continuamos nosso estudo. A maior parte em Cordell.

Quando estava com 18 anos, fiz minha primeira pregação. Em 1919 fui para a Universidade, Abilene Christian School em Texas.
Tive minha primeira formatura em 1923 e continuei os estudos até 1926. Nesse período na mesma Universidade, pratiquei vários esportes, sendo que os principais foram Foot Ball Americano e Base Ball.

Em 1927 fui convidado a pastorear uma Igreja de Cristo em Portland, Maine. Antes de ir a Portland eu pastoreava ema Igreja de Cristo em Louisville, Ky. E lá em Portland recebi o chamado de ser missionário. Voltei para Louisville, Ky, casei-me e viemos para o Brasil.

Viemos de navio chegando a Recife no dia 21 de setembro de 1927. De Recife seguimos para Garanhuns, no Sertão de Pernambuco. Lá encontramos o Pastor Antonio Gueiros que nos hospedou carinhosamente. Ele era Pastor Presbiteriano. Como não entendíamos nada de português, sua filha Noemi começou a dar aulas de português a nós.

Viemos para o Nordeste, porque o Missionário Orlando Boyer, meu colega, que também receberá o chamado e veio para o Brasil, me escreveu que viesse ao Nordeste que a necessidade ali era grande. E assim eu e Boyer entramos para o Sertão adentro e mesmo, sem poder falar quase nada de português, nós cantávamos em inglês e oferecíamos Bíblias ao povo que não conhecia nada de Bíblia.

Havia muita perseguição contra os Evangélicos no Sertão naquele tempo, de modo que não foi fácil. O campo era vasto e as dificuldades eram muitas. Os nossos transportes eram, burros, jumentos ou a pé e por isso escrevemos para dois outros irmãos nos Estados Unidos que desejavam vir também. São eles: George Johnson e Horace Ward.

No começo nosso trabalho era mais pessoal. Depois que tínhamos um grupo de convertidos nós nos reuníamos na casa deles, mas mesmo assim, a perseguição vinha de fora a nos arrancava de dentro das casas. Fazíamos reuniões nas praças, às vezes, mas os perseguidores vinham com frutas e tomates podres e atiravam em nós e às vezes nos ameaçavam com facas.

Em Juazeiro do Norte pregamos na praça amparados pela policia.
A perseguição era tanta que a polícia me deu a idéia de procurarmos falar com o Padre Cícero, que era o Santo do Nordeste e pedir a ele ajuda. Fui procurá-lo e tive uma longa e boa conversa com ele. Depois disso as coisas ficaram mais brandas.

Me lembro que uma vez eu e Horace Ward entramos na cidade de Exú. Pernambuco e começamos a pregar na praça. De repente vieram uns homens com paus, garruchas e facas e nos ameaçaram e tivemos que correr. Eu conseguir correr sem dano, porém Horace foi atingindo no braço com uma pedra.

Lembro-me que uma vez Eu e Horace Ward entramos numa cidade para anunciar a palavra. Ao lado da cidade havia um morro alto de onde descia um eco, nós descobrimos isso e subimos o morro; Eu com minha trombeta e Horace com o bandolim. Começamos a cantar um dueto hinos de convite a Jesus e tocávamos nossos instrumentos também. O eco trouxe o som para baixo e de toda aquela parte da cidade as pessoas saiam nas ruas e nas janelas para nos ouvir.

Mas com toda a perseguição e dificuldade de transporte, graças a Deus, conseguimos ganhar muitas almas para Jesus. Não sei se me lembrarei de todas as cidades por onde andamos pregando, mas vou tentar.

Saímos de Garanhus, Pernambuco para Mata Grande em Alagoas. Instalamos nossa residência em Mata Grande, dali começamos a penetrar pelo Sertão. Vou dizendo as cidades por onde passamos pregando. Em Alagoas: Mata Grande, Água Branca, Delmiro Goveia, Piranhas, Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, Jatobá. Em Sergipe: Pão de Açúcar. Em Pernambuco: Águas Belas, Cabrobó, Floresta, Salgueiro, Serra Talhada, Belmonte, Triunfo, Pau dos Ferros, Flores, Exú, Bodocó, Ouricuri. Em Paraíba: Cajazeiras, Pombal, Souza. Em Ceará: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Milagres, Brejo, Santo, Santana do Cariri, Nova Olinda, Campos Sales, Varsea Alegre, Araripe, Missão Velha, Jardim.

Sei que morei em Mata Grande, Alagoas – Bodocó, Pernambuco. Crato – no Ceará. Parece que morei em mais algum lugar. Crato foi o melhor lugar que morei.

Morando em Mata Grande, Alagoas, Saíamos para outras cidades e quase sempre íamos em dois a dois. As esposas ficavam em casa. Uma vez saí com o irmão Boyer para outra cidade, e a esposa do irmão Boyer ficou com a minha na nossa cassa em Mata Grande. As nossas esposas também estavam estudando português, mais ainda tinha muitas dificuldades. E quando voltamos da viagem, minha esposa disse: Ontem á noite Edna disse – Minha marida é longe de eu. Edna é a esposa de Boyer.

Tive ainda em Mata Grande outra perigosa experiência. Havia nessa zona do Sertão, um grupo terrível de cangaceiros, cujo chefe era Lampião. Nós ouvimos muito fala com esse grupo era perverso. Quando eu soube disso logo pedi a Deus a oportunidade de falar de Jesus a ele.

Em 1930, na época da revolução no Brasil, os soldados todos foram para os litorais deixando as cidades sem defesa para tomar conta e fizeram trincheiras nas ruas porque sabiam que lampião estava rondando as cidades. Eu também sabia, mas me esqueci.
Eu havia comprado lá em Recife, um carro puxado por cavalos, cujo nome era cabriolé e eu resolvi trinar os cavalos a puxarem o Cabriolé. Eles nunca tinham visto carro igual.

Coloquei os cavalos no Cabriolé e saímos, eu, minha esposa e um menino. Quando estávamos á 3 km mais ou menos da cidade da Mata Grande fomos surpreendidos por um grupo de Lampião que nos mandou parar e pediram 500 contos de réis. Ficamos assustados, mas eu logo me lembrei da oração.

Descemos do carro, eu tirei os forros dos bolsos da calça e disse: Não tenho dinheiro nenhum, mas eles insistiram ameaçando e me obrigou a escrever um bilhete para alguém na cidade mandar o dinheiro.

Eu não queria escrever o bilhete. Mas a pedido desesperado de minha esposa, pois eles ameaçaram me matar, escrevi a Boyer, dizendo que estávamos presos pelo grupo de Lampião, mas que Boyer não mandasse nada sem consultar a Deus, porque o dinheiro que tínhamos era de Deus.

Enquanto um dos jagunços levou o bilhete, os cangaceiros nos levaram 25 km á frente e lá estava a próprio lampião. Ele estava nuca casa abandonada que pertencia à fazenda dos Maltas. Ele saiu de dentro da casa e veio falar comigo. E me perguntou quem eu era e o que eu fazia. Eu disse a ele: Sou missionário Americano e estou ensinando o caminho certo ao povo. Então somos colegas disse o Lampião. Porque eu também estou corrigindo os erros dessa gente. Quando eu encontro uma mulher com vestido curto, eu marco a perna dela com o ferro quente, com que a gente marca o gado. E se encontrarmos uma mulher com o cabelo cortado eu dou uma surra com palmatória.

Então eu disse a ele: Meu método é outro, é o ensinado por Jesus Cristo, filho de Deus é o método do amor, da salvação, da libertação do mal. E comecei a falar de Jesus a ele e como Jesus pode libertar o mais vil pecador e fazer dele uma pessoa santificada. Eu dei a ele uns folhetos que eu tinha comigo e ele guardou-os no bolso, prometendo lê-los depois. Fiquei conversando com ele até o jagunço chegar da cidade e ele ficou me ouvindo com atenção.

O moço chegou com apenas um saquinho de pano, daqueles antigos de sal e dentro só havia uma notinha de 100 reis e o resto era moedas. Lampião pegou o saquinho, tirou a nota de dentro e devolveu-me as moedas dizendo: toma isso, eu não sou cego para aceitar moedas, porém vou levar os seus cavalos.

Como eles não sabiam tirar os arreios dos cavalos eu os tirei e eles montaram nos cavalos e se foram embora deixando o Cabriolé, embaixo da árvore. Deixamos o cabriolé lá porque não podíamos trazê-lo sem os cavalos, e voltamos as 25 km a pé.

Os bandidos haviam segurado lá todos os que passavam de modo que havia 25 pessoas conosco, e voltamos cantando e louvando a Deus pela vitória e livramento de Deus nos deu e pude falar do amor de Jesus a todos os que estavam conosco.

Quando chegamos na entrada da cidade de Mata Grande já estava escurecendo. Os fazendeiros armados estavam atentos a qualquer ruído que viesse de fora. Nós, os 28 que estávamos chegando, vínhamos conversando alegres comentando sobre o livramento nosso. Daquele lado da cidade havia uma rampa para entrar na cidade. Quando começamos a subir ali, ouvimos os fazendeiros gritarem: Quem vem aí? E o menino que estava conosco gritou: é o Virgilio. Então o povo que estava sabendo do que aconteceu, desceu correndo ao nosso encontro, dizendo: Foi um milagre. E todos nós glorificamos a Deus.

Nós os quatros missionários Americanos, viemos ao Brasil mantido pela Igreja de Cristo Americanas, cujas doutrinas eram diferentes das Igrejas Pentecostais. Um moço chamado João Nunes, que se converteu no nosso trabalho, ficou morando em minha casa porque seus pais não aceitaram e expulsaram de casa.

Um dia ele sentiu vontade de viajar para a cidade onde sua mãe morava para lhe anuncia Jesus. Na volta passou por Recife e foi assistir um movimento evangelístico pentecostal, ficou muito entusiasmado com as manifestações do poder de Deus que viu e começou a pedir a Deus aquele poder. Quando voltou nos relatou tudo, mas nós não o entendemos. Na madrugada seguinte ele recebeu de uma maneira extraordinária o Espírito Santo. Vendo o fervor de João Nunes depois que recebeu o Espírito Santo e o desejo que eu tinha de ganhar as almas para o Senhor, comecei a buscar esse poder também.

Depois de ter orado na madrugada saí no dia seguinte montado numa mula para anunciar a palavra e quando passei por um trecho seco com mato e árvores baixas, perto de Serra Talhada, senti grande desejo de orar. Desci de mula, amarrei-a numa árvore, e me ajoelhei no leito seco de um rio e comecei a orar. De repente a oração começou a ser mais gostosa e percebi que não estava falando nem inglês nem português. Assutei-me, mas logo me lembrei do Poder do Espírito Santo na oração e continuei; levantei falando do Poder do Espírito Santo na mula e fui falando em língua estranhas até não sei onde.

O missionário Orlando Boyer buscou também e logo recebeu.
A minha alegria e entusiasmo foi tão grande que imediatamente escrevi para meus pais a respeito disto. Meu pai era pastor da |Igreja de Cristo e não sei como foi, mas imediatamente nosso sustendo foi cortado.

Antes de vir para o Brasil eu tinha um amigo que era dentista e ele me ensinou muita coisa sobre isso. E quando cortaram nosso sustento, eu resolvi trabalhar como dentista, além do trabalho missionário, e assim fui tratando de dentes porque lá no Nordeste dentista era difícil.

O missionário Orlando Boyer voltou para os Estados Unidos e se afiliou á Assembléia de Deus e me escreveu que eu fosse também.
Eu fui e também me afiliei á Assembléia de Deus em Springfield, Mo de onde eu sou até hoje. Voltamos para o Nordeste pertencendo agora á Assembléia de Deus dos Estados Unidos.

O Missionário Horace Ward recebeu também o Espírito Santo e permaneceu no Nordeste por conta própria e organizou a Igreja de Cristo Pentecostal.

O Missionário George Johnson voltou com a família para os Estados Unidos.

Em 1940 fomos convidados para tomar conta do trabalho em Santa Catarina. Dois obreiros nossos no Nordeste ficaram toando contra do nosso trabalho e organizaram as Igrejas das Assembléias de Deus no Nordeste. Eles são Aristóteles Alencar e Satiro Loreiro.

Em 1974 eu minha atual esposa Gail, fomos ao Sertão do Brasil de carro e percorremos quase todo o campo. Tivemos a alegria de encontrar vários daqueles irmãos que batizamos e que estão até hoje firme na fé e seus filhos e netos também. Todos nos receberam com tanta alegria e lembravam-se dos fatos acontecidos naquele tempo. Em Bodocó todos choraram e falavam em língua e glorificavam a Deus. Foi muito comovente para nós, encontrar aqueles irmãos e seus filhos.

Quando fomos a Piranhas que fica ao lado do Rio São Francisco, fomos visitar o prefeito dali. Quando eu falei alguma coisa sobre Lampião, um senhor que estava ali, deveria ter 65 ou 70 anos de idade, me disse que Lampião tinha dito que iria parar com cangaço. Eu sabia que Lampião carregava uma Bíblia com ele sempre. Essa Bíblia um dos cangaceiros havia pegado da mesa do irmão Missionário George Johnson nosso colega. Então eu pensei: É possível que Lampião leu a Bíblia e se arrependeu. Quando os soldados descobriram que Lampião estava acampado com todo o seu bando, num vale cercado de mato ali perto do rio São Francisco, foram até lá e os atacaram e mataram 30 deles incluindo Lampião e Maria Bonita. Os soldados disseram que Lampião não reagiu.

Em Mata Grande deixamos um trabalho num salão alugado e agora há um grande Templo construído. Boas Igrejas construídas em Bodocó, Crato, Pedra de Delmiro, Piranhas, Cajazeiras, Vitória da Conquista e outras mais como Palmeira dos Índios, Serra Talhada, Paulo Afonso e outros.

Bem, como dissemos antes, em 1940 fomos para o Sul do Brasil, para Santa Catarina. Fomos direto para a cidade de Joinville e ali começamos a pedir a Deus orientações para um trabalho frutífero.
Numa das minhas orações diárias um dia Deus me perguntou? "quantas pessoas nessa cidade você acha que freqüentam as Igrejas Evangélicas?" Havia em Joinville naquele tempo 22.000 habitantes. Eu respondi a Deus: Não sei! Talvez umas 800 a 1.000 pessoas. E Deus me disse: E do restante quem está cuidando? E Deus me orientou para organizar uma caixa de Evangelização para sustente obreiros que saíram para o Campo.

Depois dessa caixa de Evangelização estar criada, criamos um slogan que era: nas cidades onde houver um correio, nós vamos abrir um trabalho da Assembléia de Deus. E, hoje, nos 50 anos de criação dessa Caixa o resultado é tremendamente grande.

Não me lembro de nomes dos primeiros obreiros enviados para o Campo, mas o nome de um deles lembro-me bem, era Inocêncio
Marquione. Esse irmão, cheio do poder de Deus, chegava, numa cidade, alugava um salão e saia de casa em casa convidando o povo para ir na reunião á noite. Ele nunca ficava numa casa mais do que cinco minutos á noite o salão ficava cheio. Deus operava maravilhosamente e havia conversões. Na minha mente recordo dos irmãos, que com entusiasmo, saíram nessa tarefa. Mas não me lembro os nomes deles.

Resolvi construir um templo para a Assembléia de Deus em Joinville. E como não tínhamos recurso para isso, reuni os membros da Igreja e todos concordam em ajudar na construção. Havia pedreiros, carpinteiros, pintores e ajudantes de todo jeito.
O terreno escolhido para a construção não era firme, então tivemos de assentar 120 estacas feitas de Eucalipto. Primeiro fizemos um buraco até a fundura que deu nossas forças. Amarramos uma corda na ponta de estaca e puxávamos até em cima, depois soltávamos as estacas para descer com força até o fundo do buraco e assim colocamos todas aquelas estacas como base no terreno.

O templo que construímos em Joinville foi o maior prédio da cidade. Construímos também uma casa Pastorial ao lado do templo. Quando eu estava trabalhando na construção dessa casa eu caí de um andaime em cima de uma estaca e feri terrivelmente meu braço. Tenho o sinal até hoje.

Os frutos do trabalho Evangelístico sustentados pela caixa de Evangelização foram tantos que dou a Glória de Deus todo o tempo. Eu organizei em Joinville e uma boa Escola Dominical e um ótimo coral.

Em 1953 deixei Santa Catarina e fui para São Paulo. Minha primeira esposa estava muito doente e resolvi cuidar melhor dela.
Chegando em São Paulo, resolvi organizar uma livraria Evangélica. Minha esposa tinha umas economias e com elas abrimos a livraria dos Evangélicos. Eu comecei a pregar em várias Assembléias de Deus que me convidaram e fazer vários Estudos Bíblicos além de cuidar da livraria.

No fim de 1953 eu estava em pé, encostado na parede da Avenida São Bento em São Paulo, vendo aquele povo passando sem parar, de repente Deus falou comigo novamente: "Virgil, quantas pessoas dessas que estão passando ai, conhecem a Jesus?". Eu respondi: Oh, Senhor, não sei, talvez nenhuma! E Deus me disse: "Pregue a esse povo". Eu fiquei olhando para aquela multidão e respondi: É muita gente Senhor. Como poderei fazer isso?

Uns dias depois disso, um grande trabalho Evangelístico de Salvação, cura Divina e Batismo em São Paulo. Era realizado numa tenda de lona. E como o principal pregador era Americano e não sabia falar português, um dos responsáveis soube que eu estava em São Paulo, me convidou para eu ser o interprete do Américo Raymond Boatrigh.

Havia três reuniões por dia; uma ás 10:00 horas da manhã que pegava as pessoas que trabalhavam ali perto, outra ás 15:00 horas e á noite ás 19:00 horas. Havia de 3.000 a 5.000 pessoas á tarde e a noite.

Naquele tempo as Igrejas não cantavam quase corinhos e eu conhecia muitos próprios para Evangelização, e assim a pedido dos responsáveis pelo trabalho, comecei a ensinar corinhos ao povo, antes da pregação. E depois que eu interpretava o pregador, eu também recebi a tarefa de fazer o apelo. E com que alegria eu via de 400 a 500 pessoas virem á frente para aceitarem a Jesus como Salvador. Eles vinham com os braços levantados, chorando e tudo o que eu pedia que fizessem eles faziam até mesmo se ajoelharem no chão de terra.

As curas eram inacreditáveis, vimos curas e milagres de enfermidade de toda espécie. Surdos, mudos, aleijados, cegos, fogo selvagem, lepra, loucura, cancerosos jogavam o câncer pela boca, verrugas caiam das mãos depois da oração. Nem sou capaz de inumerar toda a maravilha que vi Deus operar.

Deus abençoou também a livraria. Tive o privilégio de lançar os primeiros Discos Evangélicos em São Paulo, eu e minha atual esposa Gail, gravamos vários discos. Minha esposa cantando soprano e eu o tenor. O primeiro disco gravado por Luiz de Carvalho foi feito por nós.

Lançamos também as Bíblias com zíper no Brasil e as Bíblias com índice polegar. Lançamos as caixas de promessas. O primeiro disco nosso que lançamos foi "Deus é Amor"; O segundo foi "Conheço um nome". Nesses dois discos eu falo algumas palavras e nos outros, eu canto o Tenor. Minha esposa Gail canta o Soprano. Do outro lado de Deus é amor estava "O Jordão e eu não passarei só". Ouçamos esses discos.

Gravações

Em todos esses discos que ouvimos minha esposa Gail é o soprano e eu o tenor. Dei aula de solfejo á muitos jovens. Primeiramente, lançamos discos com diversos cantores assim como: Josué Lira, Washington Alves Aparecido de Souza, o Testinha. Alguns quartetos como: Está longe Canaã, o solo Eu creio num ser, Jesus na Galileia, Só o Senhor é Deus, Arca de Noé, É Tempo de Segar, e vários outros que não consigo me lembrar agora. Ouçamos alguns deles.

Como disse antes: Lançamos o primeiro disco de Luiz de Carvalho. Ouçamos Luiz. E depois ouçamos os outros cantores.
Com a visão que recebi desse trabalho na tenda, comprei uma tenda de lona para mim e com orientação de Deus fui com a tenda para um dos bairros de São Paulo e depois a levei para a cidade de Santos no Litoral de São Paulo. Lá consegui em terreno e armamos a tenda e começamos, da mesma maneira que aprendemos na tenda em São Paulo. Foi uma benção maravilhosa.

Apesar de Santos estar a 90 quilômetros de São Paulo, eu ia à tarde e voltava á noite depois da reunião todos os dias. Nunca me esqueço das noites de neblina na Serra de Santos. Era tão forte a neblina que não podíamos enxergar nada em nossa frente. E para podermos continuar dirigindo o carro até São Paulo, eu me apoiava atrás de um ônibus, olhando no farol aceso dele. Eu fazia isso porque eu morava em São Paulo e tinha a livraria lá também para cuidar. Quando a tenda ficou fraca nós construímos um grande Tabernáculo.

Em 1960 fui aos Estados Unidos e lá, conversando com pastores sobre o trabalho que estávamos fazendo, um irmão Pastor me convidou para ir para Brasília abrir um trabalho e construir um templo que ele desejava construir. Eu disse a ele que ia pensar nisso.

Para o maior progresso no trabalho Evangelístico que estávamos fazendo em uma tenda de lona, era necessário que se pusesse em frente da mesma uma placa com um nome expressivo sobre o que acontecia lá dentro. Por isso pusemos o nome de Cruzada da fé.

Em 1962 minha primeira esposa faleceu e em 1963 casei-me com minha atual esposa Gail. Casamos no Tabernáculo de Santos.
Quem oficializou o casamento foram os missionários: Lourenço Olson e Gustavo Bergston. Depois de casados, mudamos para Santos, deixando a Livraria aos cuidados da irmã e sobrinho de minha esposa.

Durante esse tempo o missionário veio a Brasília, escolheu o terreno, para ser pago em prestações, deixou um irmão lá que construiu um barracão para reuniões. A casa para morar era um barraco de madeira. Com a nova insistência do missionário eu resolvi vir à Brasília.

Quando o missionário Americano veio à Brasília para escolher o terreno, ele conheceu um homem chamado Arlindo que disse ter se convertido a Jesus e estava dando seu testemunho em várias Igrejas, ele era chefe de macumba. Ouvimos o testemunho dele o missionário Americano o convidou para ir aos Estados Unidos dar o seu testemunho lá. E assim, foi com ele e um interprete para lá. Mas como ele era negro as ofertas tiradas para ele foram poucas e Arlindo não gostou disso, e ficou com raiva. Quando voltou Arlindo foi no terreno e aplicou uma tremenda macumba lá dizendo que ninguém iria conseguir fazer nada lá. Ele não tinha se convertido como dizia.

Nesse período, eu resolvi construir um templo no mesmo terreno onde estava o Tabernáculo em Santos. Os alicerces já estavam prontos, organizei o trabalho que já se estendia por outros bairros de Santos e entreguei o trabalho com tudo para o irmão pastor da Assembléia de Deus, João Correia.

Voltamos para São Paulo, organizamos tudo na livraria deixando o sobrinho de minha esposa e sua mãe responsáveis e seguimos no dia 14 de fevereiro de 1964 para Brasília. Eu fui na frente para arrumar lugar para morarmos. Quando cheguei em Brasília o único lugar que havia era o barraco de madeira no terreno.

A responsabilidade do pagamento do terreno e toda a despesa ficaram por nossa conta. Como não tínhamos de onde tirar dinheiro para os pagamentos minha esposa ia todos os meses á São Paulo de ônibus enfrentando uma poeira tremenda na estrada, para trazer dinheiro do movimento da livraria para pagar as despesas em Brasília. Além dessa despesa em Brasília, a livraria estava pagando uma loja em São Paulo, onde pretendíamos mudar a livraria. Ficamos morando naquele barraco de tábua.

Resolvi comprar outra tenda de lona e no dia 8 de abril de 1964 armamos a tenda em Taguatinga. Dinheiro para folhetos ou convites, nós não tínhamos de modo que fizemos o que pudemos pessoalmente.

Começamos a armar a tenda na Praça de Bicalho num terreno vazio cedido pela prefeitura. Enquanto estávamos armando e levantando a tenda as crianças que saiam da escola e passavam por ali curiosas perguntavam. Isso é um circo? E explicávamos a eles que era uma tenda de Cura Divina e que trouxessem seus pais e todos os doentes, que Jesus iria curar. Essas crianças foram nossas melhores propagandistas, apesar de nós percorrermos toda a cidade no carro com alto falante. Minha esposa fez uma porção de placas de pano com versos Bíblicos e enchemos toda a tenda com elas.

No dia 9 de abril de 1964, quando inauguramos o trabalho, a tenda ficou repleta de gente. Nós tínhamos muita coisa para resolver e a tarefa era grande, então convidamos um jovem pregador que também freqüentava a tenda em São Paulo e que fizera um curso de preparação e estava cheio do poder de Deus, para vir nos ajudar, O nome dele é Joaquim Tavares. Ele é casado e tinha um filhinho de 8 meses. Nós naturalmente, tivemos de sustentá-lo com o movimento da livraria em São Paulo. Na tenda só começamos a falar sobre oferta depois do primeiro batismo.

Deus abençoou ricamente e vinham pessoas de todas as satélites para a tenda. Naquele tempo Brasília estava ainda em construção e embora a rua tivesse sido asfaltada, havia muitos buracos feitos pelas chuvas. Na avenida L2 Sul, onde morávamos, quando chovia a água descia de lá da W5 com tanta força, que não via os buracos nas ruas e levava casa solavanco!

Como já disse: Começamos o trabalho na tenda dia 9 de abril e no dia 7 de junho fizemos o primeiro batismo dos novos convertidos e foram 220. Havia muito mais, mas eles nunca tinham visto um batismo nas águas antes e preferiram ver primeiro.

Nesses três meses na tenda organizamos uma escola Dominical com crianças de 4 a 12 anos. Tivemos 105 crianças matriculadas. E como era bom ver aquelas crianças cantarem corinho, todos de cor.
Eu organizei um grupo de 30 homens e minha esposa organizou um grupo de 94 senhoras. Todas convertidas e com que entusiasmo, trabalhavam na obra. ´R impressionante e inacreditável lembrar como esse povo, novo convertido, trazia no coração um amor tão grande por Jesus.
Houve na tenda curas e milagres maravilhosos. Informações sobre algumas curar e milagres acontecidos estão escritos no livro que escrevi, cujo o titulo é " O Evangelismo Frutífero". Eu não poderia inúmera- los aqui.

Precisávamos entregar o terreno para a prefeitura então resolvemos comprar um terreno na avenida comercial então resolvemos comprar um terreno na avenida comercial de Taguatinga e construir ali um Tabernáculo. E assim fizemos. As ofertas tiradas na tenda eram espontâneas de modo que como o povo era pobre e novo na fé, não entrava muita coisa. E novamente, como eu havia feito em Santa Catarina, reuni o povo convertido e todos nós construímos o Tabernáculo. Até as crianças carregavam tijolos, e outros traziam café com pão e bolos para todos nós que estávamos trabalhando.

Depois de quase pronto o Tabernáculo, mudamos para lá. E havia batismo quase todos os meses. Eu reunia com um grupo de homens uma vez por semana para estudos Bíblicos, e minha esposa também reunia com as senhoras uma vez por semana à tarde para estudarem a Bíblia. Havia também com ela o serviço social e visitação aos doentes e uma vez por semana reuníamos na casa de um dos convertidos para fazer reuniões e eles convidaram os vizinhos para assistirem. Era uma verdadeira benção. Quando tiramos a tenda de Taguatinga a levamos para o Núcleo Bandeirante e a armamos na 3° avenida, e Deus abençoou de uma maneira maravilhosa.

Quando eu tinha que viajar, minha esposa tomava conta do trabalho no Tabernáculo. E uma vez quando precisei ir á São Paulo e ela ficou ela e os irmãos convertidos na tenda, tiveram uma experiência maravilhosa com Jesus. Era a reunião da tarde. Minha esposa estava pregando sobre São Marcos 5:21 em diante, sobre a mulher que sofria de um fluxo de sangue. Ela não tinha terminado ainda a mensagem quando Deus disse á ela que parasse de pregar e descesse do púlpito porque Ele iria fazer uma maravilha no meio deles.

Minha esposa explicou ao povo que Deus mandara que ela parasse de pregar. Minha esposa desceu até a frente do púlpito, e começaram á orar; de repente minha esposa parou de orar e começou a cantar o Hino "Grandioso é Tu". Ela sentia seu corpo flutuar.

Muitos daqueles convertidos na tenda já tinham também recebido o poder do Espírito Santo, Os bancos eram longos e cabiam sete pessoas cada um. O poder que caiu sobre todos ali foi maravilhoso, e duas irmãs saíram de onde estavam assentadas e vieram no bando da frente. Uma assentou-se numa ponta do banco e a outra na outra ponta. E o nome delas são Julia Dórica dos Reis e Alice da Almeida Franco.

Quando minha esposa conseguiu parar de cantar e virou-se para o povo, essas duas irmãs ao mesmo tempo disseram: Eu quero falar, e disseram: Jesus passou por aqui e andou no meio de nós com suas mãos estendidas sobre nós todos. Todos choraram, cantavam em línguas e louvavam a Deus.

A irmã Dórica morava em Taguatinga, mas naquele dia ela quis vir com minha esposa para o Plano Piloto. A irmã Dórica tinha uma irmã carnal que também com toda a família, tinha se convertido na tenda. Ela morava exatamente no começo da avenida L2 Sul, por onde deveriam passar. Minha esposa dirigindo o carro, e ambas não cansavam de glorificar a Deus pela magnífica experiência que estavam tendo. Ao passar em frente à quadra onde Lilia, sua irmã morava, Dórica falou à minha esposa, vamos passar lá na Lilia: e foram: Era tardezinha. Quando tocaram a campainha e Lilia abriu a porta, ela deu um grito de susto. Os rostos de minha esposa e de Dórica estavam brilhando como também os cabelos.

Agora vamos cantar alguns dos corinhos que cantávamos nas tendas.

Como já disse antes; tiramos a tenda de Taguatinga e a levamos para o Núcleo Bandeirante. Armamos a tenda na 3° avenida.
E Deus continuou abençoando de uma maneira maravilhosa.
O poder de Deus manifestava era tão visível que os próprios membros das Igrejas Evangélicas em Geral. Também iam lá. E como o trabalho na tenda terminava sempre tarde, porque tínhamos que orar por todos os doentes depois da mensagem, os irmãos de outras Igrejas quando terminava o culto nas suas Igrejas, eles corriam para lá.

O Pastor de uma dessas Igrejas cujo povo corria para a tenda depois do culto, perguntou aos seus membros, porque corriam á tenda com tanta ansiedade todos os domingos? E eles responderam que na tenda havia um poder que era tão bom sentir. E o pastor disse: Todo esse poder vem do alto, vamos nos reunir no salão atrás da congregação todos o domingo para pedir esse poder. E eles fizeram isso e Deus batizou-os numa noite, e essa Igreja ficou Pentecostal.

Depois de percebemos por uns meses no Núcleo Bandeirante, tiramos a tenda e a armamos no Plano Piloto no nosso terreno, na L2 Sul. Alguns pastores e evangelistas de Brasília mostraram desejo de pregar na tenda e eu os convidei que viessem. E nesse período de tempo eu recebi uma carta de um Evangelista Americano chamado Charles Doss. Ele queria visitar Brasília e o trabalho que estava sendo realizado aqui. Eu respondi a ele que viesse.

Quando ele chegou e viu os movimentos nas Igrejas e conheceu alguns pastores da assembléia de Deus, ele logo quis fazer contato com ele, por isso me perguntou se seria possível ele dar uma palestra para um grupo grande de pastores, e onde seria o melhor lugar. Eu disse a ele que o melhor lugar que eu achava era na Assembléia de Deus, na W5 onde o Pastor Antonio Inácio era Pastor.

Naquele tempo ainda não havia a Baleia. A Igreja era num salão ali mesmo no terreno onde hoje é chamado "O Peixão". Eu disse a ele que eu iria falar com o Pastor Antonio Inácio sobre o assunto. O irmão Charles Doss ainda acrescentou: eu gostaria de dar antes da palestra, um almoço para todos, e ele pagaria toda a despesa, porem esse almoço deveria ser feito pelas irmãs da Igreja. Esse almoço seria no Domingo.

Fui falar com o Pastor Antonio Inácio, e ele concordou, porém disse: nós não temos panelas suficientes para cozinha para tanta gente. Eu me levantei no Sábado bem cedo e sai procurando uma Igreja que pudesse emprestar algumas panelas grandes encontrei-as na Igreja Adventista. Eles nos emprestarem algumas. Levei-as imediatamente para lá e fui ao mercado comprar a comida.
Voltei para casa era mais de meio dia. Almocei e tomei um banho e fui ao hotel buscar o irmão Doss para pregar na tenda ás 15 horas.

Depois de interpretar o pregador oramos pêlos enfermos. E de lá fui levar o irmão Doss novamente para o hotel e voltei para casa, comi alguma coisa e já era hora de me preparar para a reunião da noite. O irmão Doss iria pregar novamente e eu interpreta-lo. Naturalmente fui buscá-lo novamente no hotel.

No dia seguinte, Domingo, dia da palestra, levantei-me bem cedo e fui a Igreja do Pastor Inácio pra ver se tudo estava em ordem. Voltei para casa, me aprontei e fui buscar o irmão Doss.
Chegamos na Igreja um pouquinho antes do almoço e todos queriam conversar com Doss. E eu interpretando tudo.
Quando terminou o almoço fomos para dentro da Igreja e a uma e meia começou a palestra que durou até 15 horas. Na tenda a reunião começava ás 15 horas, mas minha esposa com um ajudante davam inicio cantando os corinho e falando com o povo. Minha esposa também tocava acordeon para acompanhar os cânticos.
Chegamos em tempo para a pregação que Doss faria e eu interpretaria.

Doss pregou até as 15 horas e saímos dali para a televisão onde Doss também pregou e eu interpretei. Saímos de lá ás 19 horas para a tenda novamente onde Doss pregou até 23 horas.
O irmão Doss pôs a mão aberta sobre a tela da televisão e disse: Quem precisar uma benção, coloque a mão sobre a minha e creia. Deus vai operar agora. E muitos que colocarem a mão sobre a dele na tela foram curados.

Eu estava tão cansado que nem sabia quando estava falando inglês ou português. Quando terminamos de orar para o povo, chegou um irmão da Igreja Batista do Núcleo Bandeirante dizendo que a Igreja lá estava cheia de gente esperando ouvir o irmão Doss e que o Pastor Antonio Brito pediu encarecidamente que fossemos. Eu quis recusar, mas vi que não adiantava, por isso fomos. Saímos de lá a 1 hora da manhã. Levei o irmão Doss ao hotel e quando cheguei em casa nem podia ficar de pé. Nunca interpretei tanto na vida. Ele nos deixou um disco cantado por ele e a esposa. Ouçamos o disco. Ele é de Phenix-Az.

Tudo isso aconteceu durante os anos de 1964 a 1967 mais ou menos. Como começamos á receber visitas de vários Americanos, resolvemos encompridar o salão de alvenaria e fazer na ponta dele alguns cômodos para nós morarmos porque o barraco de tábua estava muito ruim. E com muito esforço fizemos uma sala, uma pequena cozinha, dois pequenos quartos e um banheirinho. Á frente da sala fizemos de alvenaria, mas a parede de traz fizemos de pau a pique. Quando estávamos ainda na tenda em Taguatinga e o povo que freqüentava era bastante, minha esposa fez questão de tirar várias fotos, caprichando para pegar, em várias batidas, o povo todo da tenda.

Um dia apareceu, vindo de Goiânia, um moço que disse Ter sido um padre e que tinha se convertido. Não me lembro o nome todo dele, mas lembro-me que era Padre Sandoval. Ele estava dando sei testemunhos Igrejas e veio para Brasília, me procurou, e eu o hospedei. Nós ainda estávamos no barraco de tábua.
Para ajudar na nossa despesa, pusemos na tenda uma banca para vender Bíblias, livros e discos. E ao lado do nosso barraco fizemos um cômodo que o padre ficou uma semana conosco. Falou na tenda e em algumas igrejas. Falou numa Assembléia de Deus em Sobradinho também.

No Domingo, minha esposa tirou as fotos que já mencionei antes, e quando chegamos em casa ela colocou a máquina fotográfica em cima da escrivaninha, fez o café, e foi chamar o Padre Sandoval para tomar café. Quando chegou lá viu a porta aberta. Chamou-o, mas ele não respondeu. Então minha esposa entrou e viu que não havia ninguém lá e uma parte da roupa da cama não estava e a prateleira onde estavam as Bíblias estava quase vazia. Minha esposa correu para casa me chamar e depois entrou no quartinho e a máquina de fotografia com os filmes e tudo, tinha desaparecido, assim como também o dinheiro da gaveta. Esse homem nunca foi padre. Nunca se converteu. Ele roubou o barbeador do pastor de Sobradinho também. Minha esposa ficou triste por perder sua câmera e todas as fotos que tirou com tanto capricho.

Como eu estava dizendo antes, nós recebemos a visita de vários Evangelistas Americanos. Um deles foi o Pastor Guetta e outro foi o Evangelista Rex Humbard, ele trouxe dois jovens com ele que tacavam guitarra como nunca vi alguém tocar antes. O povo da tenda e do tabernáculo ficou encantado. Havia poder de Deus em cada corda da guitarra.

Ouçamos Rex cantar com sua esposa e observem as guitarras.
Bem, quando tiramos a tenda do Plano Piloto a levamos para o Gama e a armamos na praça em frente ao mercado Municipal, e Deus abençoou grandemente. Houve muitas conversões e fizemos vários batismos. E antes de tirarmos a Tenda dali, alugamos um salão e ali continuamos.

Havia duas reuniões por dia. E minha esposa para ficar a tarde toda lá resolveu dar aulas aos adultos que não sabiam ler.
Em todos esses trabalhos de tenda nós pegamos os nomes e endereços de cada um, e visitávamos. Todos nos recebiam tão alegres e nunca podíamos sair dali sem tomar um cafezinho. Tinha dias que tomávamos tanto café!
É interessante notar como o povo que não conhece Jesus é inocente no conhecimento Bíblico. Um dia fomos visitar uma família no Gama. Quando chegamos no portão as pessoas da casas vieram no receber com tanta alegria, e disseram: Meu pai estava com fogo selvagem, foi na tenda e recebeu a cura instantaneamente. Então perguntamos: E estão freqüentando? E sabem o que me responderam? Ué precisamos voltar? E nós explicamos e eles que Deus tem muitas bênçãos para dar além da paz e tranqüilidade da certeza da vida eterna ao lado de Jesus.

Quando tiramos a tenda do Gama e levamos para Goiânia. Logo procuramos um irmão Evangelista, que também tinha recebido essa visão de trabalho Evangelístico em tendas e o convidamos para cooperar no trabalho de evangelização lá. Ele e sua esposa aceitaram de corpo e alma e Deus abençoou ricamente.
E eu minha esposa íamos para Goiânia uma vez por semana. Tento tirado a tenda daqui do Plano resolvi melhorar as condições do salão para podermos nos reunir ali. E assim fizemos e tivemos algumas reuniões por semana no salão, porque não podíamos deixar de atender o povo do tabernáculo em Taguatinga e Gama.

Alguns pastores de fora viram dizendo que queriam cooperar na obra e nós os aceitamos; confiamos neles e até viajamos deixando o trabalho e tudo nas mãos deles enquanto viajamos. Mas pelo aviso e providência Divina ficamos sabendo que esses pastores estavam preparando para nos dar um golpe de traição e ficarem com tudo, depois de toda a nossa despesa e tremendo trabalho que tínhamos tidos até ali. Voltamos correndo da viagem e Deus nos deu a vitória e conseguimos que eles fossem embora.

Agora precisávamos de alguém fiel e temente a Deus com experiência nesse tipo de trabalho Evangelistico para nos ajudar.
Nesse ano 1968 a livraria em São Paulo começou a perder as forças porque o dinheiro que entrava ali era todo trazido para cá para pagar as despesas do trabalho e não sobrava dinheiro suficiente para renovar o estoque, principalmente de Bíblias, Hinários e Harpa Cristã que vendíamos muito e também os discos que não podiam faltar de jeito nenhum. Sendo assim, resolvemos fechar a livraria e passar todas as matrizes dos nossos discos para outro irmão que tinha aberto outra livraria. Os livros e estoque que sobraram também vendemos mais barato e o estoque de discos dos cantores que gravamos nós levamos para o irmão Pastor João Correia em Santos assim como também os tipos metálicos da fabricação do índice polegar nas Bíblias.

Tendo feito tudo isso, convidamos para virem á Brasília, a irmã e os sobrinhos de minha esposa para nos ajudar. Com ele aqui tudo ficou mais fácil. Os moços embora estivessem ainda na faculdade, faziam o máximo que podiam. Eles tinham e tem grande experiência nesse tipo de trabalho Evangelistico, pois fizeram parte ativa no avivamento na tenda em São Paulo.

Por idéia não me lembro de quem, nós resolvemos ampliar o máximo do salão, construímos três salas de aulas, dois banheiros; uma para meninas e outro para meninos, e uma sala para a secretaria.
A idéia foi construir um colégio. Eu, então fui para os Estados Unidos pregar e visitar as igrejas para conseguir verba para a construção. Minha esposa contratou um engenheiro que morava em Brasília, cujos pais, minha esposa conhecia desde criança em Rio Claro, São Paulo. Ele preparou a planta e mandou um administrador com três pedreiros. O pagamento seria por hora de serviço. E ali começou a luta. E eu, lá nos Estados Unidos, percorria cidade por cidade, pregando e contando sobre as maravilhas que Deus estava fazendo na obre de evangelização aqui.

Minha esposa junto com suas irmãs e sobrinhos cuidavam das reuniões no tabernáculo de Taguatinga, das reuniões do salão e ainda vigiavam o andamento da construção. Os dias foram passando e o serviço dos pedreiros não saia do lugar, não rendia.
Um dia minha esposa observou que o administrador ia andando com martelo na mão e o ajudante ia atrás com os pregos. Ela ficou observando o que iriam fazer, mas andaram de um lado para outro, um atrás do outro e perderam um tempão assim. E como o serviço não saia do lugar, minha esposa reclamou para o engenheiro que tentou corrigir, mas nada conseguiu e tudo continuou no mesmo.
Então minha esposa orou e sentiu de dispensar todos aqueles pedreiros e o administrador e enfrentar o trabalho com o povo da tenda ficando somente com o engenheiro. As paredes das salas de aulas já estavam levantadas assim como também a secretaria e os banheiros. Então minha esposa foi a Taguatinga no Tarbenáculo e falou com o povo que com alegria se depuseram a ajudar.

Minha esposa contratou dois pedreiros da Igreja e o resto foi voluntário. A maior parte deles eram mulheres, isto é, eram irmãs do grupo de senhoras e uma grande parte de crianças de 12 a 16 anos e moças. Em seqüência ao salão já estavam uma sala de aula e os dois banheiros, isso do lado esquerdo; do lado direito em seqüência a nossa casa, estava a sala da secretaria e um banheiro.
Naquele espaço, do comprimento do salão ficou para o pátio ou lugar para recreio. Mas isso era necessário socar o chão para depois cimentar, e fizeram socadores usando latas de tintas de cinco litros colocaram um pau comprido dentro e encheram com cimento e ali estava um ótimo socador. E com isso, moças e senhoras socaram todo aquele pátio.

Todo o rebocamento também foi feitos por ele. Colocação doa azulejos e toda a pintura das paredes foram feitas pêlos pedreiros do tabernáculo de Taguatinga e todos ajudaram. O engenheiro vinha para verificar o serviço de dois em dói dias. Mas para fazer isso, muitos se machucaram; um pedreiro caiu do andaime, minha esposa estava empurrando um carrinho de mão com tijolos quando pisou num prego enferrujado. E isso acontecia sempre do lado esquerdo da construção.

E eu, lá nos Estados Unidos, percorrendo cidade por cidade, não estava conseguindo muita coisa. Minha esposa escrevia todos os dias para mim contando sobre a luta que estavam tendo e sobre como estava a obra. Naquele momento nós tínhamos uma Kombi. Minha esposa e os sobrinhos iam com a Kombi no cerrado e ajuntavam pedras e pedaços de mármore que jogavam fora os ricos e traziam na Kombi para fazer a calçada ao redor do prédio.
Um irmão que morava numa chácara á esquerda da estrada que vai á Sobradinho nos deu uma quantidade boa de pedras para fazer um muro. Minha esposa com uma turma da Igreja foi lá com a Kombi e trouxeram bastante e construíram um murinho de 70 centímetros de altura na entrada do prédio. Eles quebraram todas as pedras com marretas. Mas para construir esse muro era necessário cortar uma árvore seca que estava impedindo. O sobrinho de minha esposa pegou o machado e foi cortar a árvore. De repente ele gritou: cortei meu pé! E minha esposa estava ali perto no corredor, ouviu o grito, pegou uma toalha, correu ao encontro dele, enrolou a toalha no pé dele, pegou a Kombi que estava ali estacionada e foi para o pronto socorro do hospital de sabe onde o sobrinho levou 16 pontos no lugar do corte.

Por mais que eles fizessem parceria que o serviço não rendia e sempre o pior acontecia do lado esquerdo da construção onde estavam os banheiros. Na rua de baixo havia uma embaixada e o zelador dele era muito amigo nosso. Um dia todos estavam trabalhando na colocação dos azulejos nos banheiros e o serviço não rendia. Nesse momento o zelador da embaixada chegou ali, e minha esposa que estava com a mão na massa também, disse a ele: é incrível como o serviço não aparece, não rende mais por mais que a gente se esforce.

Então o zelador falou: estive pensando no que meu amigo me contou há algum tempo atrás. Ele disse que um tal de Arlindo, macumbeiro, tinha dito á ele que havia feito u trabalho num terreno da L2 Sul e que ninguém iria poder fazer nada ali. Então, disse o zelador: agora olhando vocês lutando aqui, me lembrei que em 1961 ou 1962 eu estava cortando um cipreste ali embaixo quando vi um homem preto, com um saco de pano e um enxadão entrar aqui no terreno. Ele fez um buraco. Foi o que eu vi. Talvez esse preto tivesse sido o Arlindo macumbeiro.

Minha esposa olhou para ele, depois para os irmãos que estavam trabalhando com ela e disse: Irmãos vamos até o salão orar.
Uns tempos depois, soubemos que Arlindo havia morrido. Por quatro dias os vizinhos dele não viram sair de casa. Bateram na porta chamaram, mas ele não respondeu. Então, chamaram a policia que arrombou a porta e encontrou Arlindo morto, com seu corpo coberto de bichos.

Quando minha esposa contratou o engenheiro, umas das coisas que ele devia fazer primeiro era o revestimento da frente do prédio com pastilhas coloridas para embelezar a frente, mas os homens dele perderam todo o tempo fazendo as coisas lá dentro, sem completar nada.

Eu lá nos Estados Unidos já estava cansado de viajar sozinho e com saudade de minha esposa, resolvi voltar. Tendo chegado aqui, procuramos melhorar o prédio o maximo que podíamos e então fomos ao MEC. Departamento de Educação e falamos com eles que queríamos abrir um colégio. Eles mandaram o Departamento de fiscalização e aprovaram, e nós abrimos o colégio, cujo nome foi, Abraão Lincoln. Começamos a fazer os anúncios e vieram bastantes pais matricularem seus filhos. Contratamos dois professores e eu também dei aulas. Minha esposa que tem o curso de secretariado tomou conta da secretaria. As aulas eram só de manhã e a tarde, á noite tínhamos reuniões ás quintas-feiras e domingos no salão, além do trabalho no tabernáculo de Taguatinga.

O ginásio teve inicio em 1969 e conseguimos dirigi-lo até o ano de 1972. Mas a luta era tão grande que resolvemos jejuar e orar por vários dias e Deus nos fez ver que o nosso alvo devia ser o de ganhar almas, e não ficar parados num só lugar. O dinheiro que entrava dos alunos, mal dava para pagar as despesas do colégio.
Como o trabalho estava sendo muito apertado para mim, minha esposa e sobrinhos eu resolvi procurar alguém com visão e fé para nos ajudar no tabernáculo de Taguatinga e Gama.

Como nós íamos todas as semanas para Goiânia para ver e acompanhar o trabalho da nossa tenda lá ficamos conhecendo um evangelista com uma maravilha visão; homem de fé e amor pela obra de Deus. Como ele não estava responsável por nenhuma igreja eu o convidei para trabalhar conosco em Brasília. Ele aceitou e entregamos o tabernáculo para ele tomar conta do povo ali, embora nós estivéssemos lá algumas vezes na semana.
O trabalho estava uma maravilha. Esse evangelista tinha visões e revelações magníficas de Deus. Ás vezes quando ele estava pregando, seu corpo voava de um lado para o outro do Tabernáculo.

Um dia pensei; vou levar esse irmão para os Estados Unidos para pregar lá nas igrejas. Falei com ele e ele aceitou ir, então marcamos a viagem para dois meses adiante. E eu ajudei a tirar o passaporte e tudo estava sendo preparado para irmos. Mas de repente um outro irmão de Goiânia que era amigo do nosso evangelista, começou a freqüentar a casa dele e encheu sua cabeça de uma doutrina criada por um Americano que ensinava o batismo só em nome de Jesus. E o nosso evangelista aceitou a doutrina indicada pelo seu amigo e começou a ensiná-la ao nosso povo no Tabernáculo.

Quando eu soube disse, fui lá expliquei a ele que essa doutrina não era Bíblica e que não poderia aceitá-la e também não poderia levá-lo mais para os Estados Unidos para pregar, porque, nem eu nem as Igrejas iríamos aceitar. Conversei com o povo do Tabernáculo, expliquei bem a eles o que estava acontecendo. E eu disse: não estou obrigando ninguém. Se alguém quiser ficar com ele, a consciência é de cada um, mas se não quiserem ficar, poderão procurar as Igrejas das Assembléias de Deus ou Igrejas Pentecostais e se membrarem com elas. E quem puder ir ao Plano Piloto vá. E só ficou com ele uma irmã que estava trabalhando nas visitas com a esposa do evangelista e se apegou tanto com ela que não quis deixar. Até a esposa desse evangelista, pregava com tanta unção que era uma benção ouvi-la pregar, mas ela também foi atingida, porque naquela doutrina mulher não podia pregar.

Por causa da fé e fervor e fidelidade do evangelista conosco e como nós o queríamos bem, eu pensei em passar o Tabernáculo para o nome dele, com esperança de que ele refletisse e voltasse atrás, mas para isso reuni o povo do Tabernáculo para consultá-lo, pois ele tinha cooperado na construção do mesmo de várias maneiras e deram pessoalmente ajuda também. As mulheres passavam várias horas do dia ajudando na construção. Elas carregavam tijolos, faziam massa de reboque, etc. Os homens chegavam do trabalho, só comiam alguma coisa e corriam para ajudar a levantar as paredes etc. O povo todo respondeu que concordaram, e assim fizemos.

Nesse período de tempo, não me lembro exatamente quem foi, mas era um evangelista americano que veio nos visitar. Esse americano pregou num auditório que alugamos por uma semana. Uma noite, depois que ele tinha pregado e eu interpretado, oramos pelos enfermos e então o Americano saiu do auditório e foi lá para dentro e eu fiquei ali mais um pouco, e apareceu a mim uma senhora com lágrimas nos olhos e me apresentou seu filho dizendo que ela veio pedir oração por ele, pois o médico havia dito que ele só poderia trocar a lente dos seus óculos uma vez mais depois ficaria cego. Não havia mais recurso para ele. Ela perguntou onde estava o americano, mas eu disse: Ele já saiu, mas Jesus está aqui e vou orar por ele em nome de Jesus. Eu orei por ele e ela se foi. Uma semana depois estávamos no auditório da Televisão fazendo um programa e havia o auditório cheio. Ela chegou com o seu filho sem óculos e contou-me que naquele dia que eu orei por ele, no caminho para casa, o filho trará os óculos e os entregara á sua mãe dizendo: mamãe tome estes óculos, não preciso mais dele. O menino havia freqüentado a escola á semana toda normalmente, participando de todas as aulas, sem sentir nenhuma necessidade dos óculos. A mãe deu o testemunho através da televisão e demonstrou como o rapaz podia ler perfeitamente sem óculos.
Por causa dessa cura, muita gente nos procurou no salão da L2 Sul, dizendo que tinha sabido da cura do menino e queriam oração também.

Ficamos no terreno mais um tempo tentando conseguir meios para a construção do templo, mas foi inútil. Por isso resolvi comprar material para fazer uma nova tenda e comprei plástico desses que se usa nos toldos. Comprei de três cores: branco, azul e vermelho. Mas eu apesar de ter comprado várias tendas, nunca tinha feito uma, por mim mesmo. Fiquei sabendo que em Itumbiara havia um irmão que construía tendas, então comprei uma maquina de costura comercial usada e encontrei uma irmã que costurava bem. Ela se comprometeu a ajudar na construção da tenda.

Fomos á Itumbiara com todo esse material. Lá conhecemos um irmão que estava fazendo um avivamento maravilhoso e nos convidou para ajudá-lo. Havia uma Igreja não muito grande construída, onde foi começado o avivamento, mas como o movimento aumentou muito foi construído um Tabernáculo ao lado da Igreja, e assim a Igreja estava vazia e construímos a tenda ali. Fizemos uma tenda de 17 metros por 22 metros. Eu, minha esposa, a moça e o fazedor de tenda, ficamos diretos nesse trabalho até acabarmos e a noite íamos cooperar com o evangelista no Tabernáculo ao lado. Quando essa tenda ficou pronta, nós a trouxemos á Brasília e armamos em Ceilândia. De lá a levamos ao Gama, sempre permanecendo num lugar o mínino três meses. Do Gama á levamos á Asa Norte. E Deus abençoou em cada lugar.

Em 1975 resolvemos viajar para os Estados Unidos e lá permanecemos até 1980. Meu propósito nessa viagem era ver como meus sobrinhos e sobrinhas estavam espiritualmente.
Deixamos tudo o que tínhamos, coisas que queríamos conservar, com os irmãos da Igreja de Cristo, assim como a tenda.
Nos Estados Unidos começamos a visitar cada uma dos parentes. Encontrei quase todos firme na fé, porém alguns estavam meio descontentes. Eu procurei anima-lo contando das maravilhosas experiências que eu tinha experimentado com o poder do Espírito Santo. E graças a Deus estão firmes na fé. Um deles com a esposa estavam fora da Igreja. Comecei a conversar com eles, mostrando á eles a maravilha de estarmos em contato direto com os irmãos e quanto Deus tem nos abençoados. Ele era fiscal dos alimentos e visitava supermercados e muitas cidades.

Eu procurava estar sempre com ele. Uma vez fomos á cidade de Raleigh, capital do Norte de Carolina. Nós dois saímos para dar um volta na cidade eu decidi comprar um livro, que eu queria, numa livraria Evangélica. Entramos numa, enquanto procurava o livro, continuei explicando e ele sobre o poder do Espírito Santo em nossas vidas. Eu estava dizendo a ele sobre como podemos recebê-lo. Que era só desejar e pedir. E ali procurando o livro que eu queria, continuei falando; nisso uma senhora chegou perto de mim e disse: Eu estou ouvindo você falar sobre receber o Espírito Santo, e disse que é fácil. Mas eu estou pedindo esse poder á 30 anos e não consigo receber. Então eu disse a ela, é muito fácil é só querer. Ela disse: Eu quero! Então eu pedi que ela se ajoelhasse ali mesmo na loja e levantasse a mão para os céus e cresse. Ela fez e eu coloquei a mão sobre a cabeça dela e ela recebeu. Quando meu sobrinho viu aquilo, disse; Eu também quero esse poder. Dias depois ele recebeu o Espírito Santo, entrou no evangelho pleno. Full Gospel Men Fellow Ship. E cooperou e ainda coopera, e hoje ele trabalha ativamente nos presídios e prega em Igrejas e está incansável no trabalho do Mestre.

Voltamos dos Estados Unidos no dia 27 de Dezembro de 1979. Deixamos passar os dias finais do ano e então pegamos a tenda novamente e a armamos em Luziânia- GO. Depois a armamos no Jardim Ingá. Depois em Sobradinho, Planaltina e Brazilinha, e ainda em Valparaizo e outro lugar ali perto. A tenda já estava gasta e furada em vários lugares; só as duas pontas estavam boas e ainda deu para armá-la na Assembléia de Deus na L2 Sul, no Congresso da Mocidade.

Como a tenda havia se acabado, eu comecei a fazer estudos Bíblicos sobre Escatologia. O assunto era sobre o apocalipse. Eu fazia Estudo e minha esposa ia mostrando os Slyds sobre o assunto. Além desses estudos eu comecei a dar aulas em diversas Faculdades Teológicas em Brasília e satélites.

Minha esposa que não se conformou em ficar sem atividade evangelistica, me disse que gostaria de fazer qualquer coisa nesse sentido; pensamos, então em fazer flâmulas de veludo com versículos Bíblicos, como vimos nos Estados Unidos, e vendê-las nas Livrarias evangélicas.

Descobrimos em Santo Amaro em São Paulo, um Japonês que poderia nos ensinar. Eu fui até lá e aprendi com ele como fazer as flâmulas e ensinei a minha esposa. Começamos esse trabalho em 1981, até 1984 eu trabalhava com ela nesse serviço, mas como eu era convidado a pregar e dar estudos Bíblicos nas Igrejas, além das Faculdades, minha esposa para me poupar, convidou sua irmã Maria para ajudar nas flâmulas.

Uma noite eu estava dando aula na faculdade e de repente parei e debrucei na mesa. Os alunos perceberam e correram para ver o que tinha acontecido. Eu queria dar o melhor para os alunos e por isso, eu estudava muito, rebuscando muitos livros, preparando as lições. Eu estudava de dia e uma parte da madrugada. Forcei de mais minha mente, e tive uma Estafa, mas graças a Deus, que é dono de todo poder, e é conhecedor de todas as coisas, ele iluminou o médico, Dr. Evilásio, no hospital Santa Lúcia, e o médico pela mão de Deus, acertou um remédio com o qual voltei ao normal. Eu havia me esquecido tudo ao redor. Emagreci 10 kg. Mas graças á Deus que nos dá a vitória, pude voltar a pregar nas Igrejas. Não voltei mais a ensinar nas faculdades porque minha esposa me pediu que parasse.

Lembrei-me agora que, em 1964 antes de virmos para Brasília, fomos a Campos, Estado do Rio, para conhecer o trabalho que um irmão estava realizando lá. Antes de ir para Campos, esse irmão me procurou na livraria em São Paulo, e me pediu que eu ajudasse na compra de um Tabernáculo de Zinco e ajudasse no transporte do mesmo para Campos. Eu o ajudei e prometi visita-lo quando fôssemos á Brasília. E assim fizemos.

Fomos de carros. Quando entramos na cidade de Campos paramos num posto de gasolina e perguntamos para alguém ali se poderiam nos informar sobre um movimento Evangelistico de Cura Divina que estava sendo feito num Tabernáculo de Zinco. Todos ali disseram: Lógico que sabemos, toda a cidade sabe! E nos ensinou o caminho.

Quando chegamos em Campos era de tarde. O Tabernáculo de Zinco estava armado num grande terreno vazio. Havia três reuniões por dia e á tarde e á noite nunca tínhamos menos de 800 presentes e em todas as reuniões havia conversões e curas surpreendentes.
No sábado reunimos na Praça Central da cidade e havia 5.000 ou mais pessoas ali. Minha esposa cantou um hino e eu toquei acordeom para acompanhá-la. No domingo fizemos um grande batismo.

Quando saímos de Campos para vir para Brasília, entramos na cidade de Muriaé passar a noite ali. No dia seguinte bem cedo preparamos para partir quando a policia nos brecou dizendo que ninguém sairia da cidade. Brasília estava em revolução. Ficamos mais dois dias ali. Depois com muita oração e delicadeza pudemos convencer a policia que tínhamos que chegar á Brasília o mais breve possível, e assim permitiram contando que fôssemos por estradas pequenas. As estradas de Luziânia. A policia não queria nos deixar passar, mas minha esposa com um jeitinho especial, ungida por Deus, falou com eles e nos deixaram seguir. E assim chegamos em Brasília.

Bem, voltamos novamente à seqüência da historia, em 1991 resolvemos fazer uma nova tenda, azul e branco. Compramos do mesmo material de plástico para o toldo e nós mesmos fizemos a tenda. Cortamos, eu e minha esposa, o plástico na sala do nosso apartamento. E o irmão Pastor Carvalho, que era gerente numa fábrica de camisetas nos cedeu um máquina e as costureira para costurar a tenda. E essa foi a última tenda que fizemos.

Quando a tenda ficou pronta a armamos primeiro no terreno da Assembléia de Deus na L2 Sul. Depois armamos em Candangolândia. Eu não podia pregar como antes. Os pastores que se propuseram a ajudar só podiam pregar uma ou duas vezes por semana. E para que um trabalho Evangelistico desse tenha frutos é necessário que um pregador pregue diariamente, pelo menos 15 dias seguidos. E por isso não houve muito progresso.

E nesse tempo um grande Evangelista soube da tenda e veio e me convenceu de passa a tenda para ele. Consenti e ele a levou para o Rio de Janeiro. Ele nos prometeu mandar fotos do trabalho, mas não chegou a mandar, embora tenha me dito pelo telefone, que o trabalho estava uma maravilha.

Hoje, 03 de maio de 2000, está fazendo um ano que caí e quebrei minha perna. Não estou podendo andar ainda, mas dou Graças a Deus pelos milhares de passos que dei desde 1927 quando cheguei no Nordeste do Brasil, sem contar com as pedaladas que dei andando de bicicleta em Santa Catarina no trabalho Evangelistico ali.

Estou com 97 anos de idade, firme na fé, orando diariamente pela continuação do trabalho de Deus, pelos Pastores, pelos jovens e pelos Missionários e posso com todo fervor e amor por Nosso Mestre Salvador Jesus, cantar. Ouçam como o povo, Novo Convertido na Tenda, canta. Termino este pequeno recato, contando mais uma experiência que tivemos aqui em Brasília. E para terminar ouçam uma pregação que fiz em inglês.

DEUS ABENÇOE TODO OS IRMÃOS. AMÉM!